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França: O contexto e os números do regresso da Festa das Luzes a Lyon


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França: O contexto e os números do regresso da Festa das Luzes a Lyon

O regresso da Festas das Luzes de Lyon cumpre-se este ano com um orçamento de 2,6 milhões de euros, divididos entre a cidade e os patrocinadores, uma redução do perímetro das instalçoes artísticas, menos 25 por cento de instalações, menos um dia por comparação as últimas edições, mas muito mais segurança.

França tem sido um dos principais alvos terroristas nos últimos dois anos e, por isso, tem sofrido um forte impacto no setor do turismo, um dos grandes catalisadores da economia nacional. Paris é a “menina” dos olhos bonitos, mas a terceira maior cidade do país, Lyon, é também uma importante atração internacional, em especial no início de dezembro, quando organiza a Festa das Luzes.

Esta celebração que começou por ser um agradecimento à Virgem Maria (no dia da Imaculada Conceição) por a cidade ter sido poupada à peste, mas hoje um evento que atrai milhares de visitantes dos quatro cantos do mundo e um importante ativo da economia francesa.

É uma das maiores festas do género na Europa, com diversas instalações de luz e som espalhadas pela cidade que viu nascer os irmãos Lumière e por conseguinte o cinema.

O êxito de 2014 e o cancelamento de há um ano

No ano passado, sobretudo por causa dos trágicos ataques de 13 de novembro em Paris, em que foram mortas 130 pessoas, a Festa das Luzes, que iria decorrer três semanas depois, foi cancelada a última da hora. Por motivos de segurança, mas não só. O medo levou à desistência de mais de 60 por cento das reservas feitas para os quatro dias em que iria decorrer o evento.

Em 2014, a 16.a edição da Festa das Luzes decorreu entre os dias 5 e 8 de dezembro, fechando exatamente no dia da Imaculada Conceição, mesmo não sendo feriado e coincidindo com uma segunda-feira. No total, foram disponibilizadas 70 instalações artísticas.

A taxa de ocupação dos hotéis rondou os 87 por cento e isto quando se estima que cerca de 70 por cento dos visitantes de Lyon para a Festa das Luzes ficaram em casa de amigos, familiares ou de residentes, que alugam quartos ou os respetivos apartamentos.

Lyon terá sido visitada nos quatros dias do evento, há dois anos, por cerca de três milhões de pessoas. Este ano, com a redução do número de instalações, da área e dos dias, é natural que a adesão seja muito menor também.

França, aliás, perdeu muitos turistas este ano, devido sobretudo aos atentados. Algumas estimativas apontam para uma redução na ordem dos três milhões de turistas estrangeiros face aos 84,5 milhões registados em 2015. Em Paris, entre janeiro e outubro deste ano, os hotéis registaram uma baixa de ocupação dos 76,7 por cento do ano passado para os 68,4 por cento.

Este ano, o país já beneficou da organização do Europeu de futebol, ganho por Portugal, e logo a seguir teve mais uma edição da volta a França em bicicleta. Tudo decorreu sem problemas. Mas houve o ataque de um homem isolado ao volante de um camião na marginal de Nice, em julho, dias após a final do Euro2016.

O regresso da Festa das Luzes em 2016

É num contexto especial que a Festa das Luzes volta agora a ser realizada. Com um perímetro de segurança apertado, cerca de 700 agentes de autoridade bem visíveis na rua e um dispositivo antimotim pronto a agir. Pela primeira vez, num evento civil, um “drone” de observação da força aérea vigia a multidão.

O diretor do posto de turismo de Lyon, apesar de todas as preocupações, disse à euronews estar “a ser encorajador porque foram feitas muitas reservas” para os dias da Festa das Luzes. “Estamos muito satisfeitos. As reservas de grupos andam na ordem dos 70 a 75 por cento”, contou-nos François Gaillard, tendo por base os números da última edição, há dois anos.

O cancelamento de 2015 foi um duro golpe na economia francesa, mas este ano, os hotéis voltaram a encher-se. O presidente da associação de hotelaria da região francesa do Ródano (UMIH Rhone, no nome original) sublinha o “entusiasmo em torno da festa das luzes” e a confiança de que “vai ser um sucesso” depois da desilusão de há um ano.

“Este ano, os organizadores trabalharam duro para repetir o êxito de outros anos. As taxas de ocupação nos hotéis são boas mesmo havendo menos um dia de festa em relação a outros anos”, garante-nos Laurent Jaume, também diretor do Hotel Roosevelt, em Lyon.

Apesar do frio, que se fez sentir durante a noite, em especial junto aos dois rios que banham Lyon e se juntam a sul da cidade, na quinta-feira havia há milhares de pessoas nas ruas de Lyon. Sente-se algum receio na utilização dos transportes públicos, nomeadamente o metro, mas a segurança está bem presente.

Ao ar livre, o ambiente é divertido e sente-se alguma descontração. O vinho quente caseiro que se vende a cada esquina a dois euros o copo ajuda a aquecer as mãos e o espírito enquanto se admiram as instalações de som e luz, com uma em plano de destaque: o “mapping” na fachada da catedral de Saint Jean.

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