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O mundo em 2016


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O mundo em 2016

2016 chega ao fim e como em cada final de ano, o tempo é de balanço. Será este um ano que fica nas História pelas melhores razões ?

Deixamos-lhe uma breve resenha dos acontecimentos mais importantes ao nível mundial :

Conflitos


Síria :
A guerra vai no quinto ano, sem fim à vista. Estima-se que entre 270.000 e 470.000 pessoas já tenham morrido no conflito. Quase metade da população – 11 milhões dos 23 milhões que viviam na Síria em 2011 – teve que abandonar as suas casas. Desses, quase cinco milhões já deixaram o país. O conflito ganhou contornos internacionais este ano, mas vale a pena recordar como tudo começou : Em março de 2011 a Primavera Árabe, movimento popular que derrubou governos autoritários no Médio Oriente e no norte da África, chegou à Síria. Manifestantes saíram para a rua em Deraa, uma cidade a 100 km da capital, Damasco, exigindo a saída de Bashar Al Assad. As forças do regime reprimiram com violência os protestos, mas os conflitos espalharam-se pelas principais cidades sírias.

Centenas de pessoas foram mortas logo nas primeiras semanas de manifestações. Ainda durante o primeiro ano, os protestos transformaram-se em conflito armado entre grupos cívis e paramilitares contra o exército sírio. Com o envolvimento de diversos grupos, os rostos e as causas da guerra civil multiplicaram-se e as atrocidades também.

Guerra contra o Estado Islâmico
Dois anos após a instalação do califado do EIIL (Estado Islâmico no Iraque e no Levante) em Mossul, o exército iraquiano, com a ajuda dos peshmergas curdos, das milícias xiitas e o apoio aéreo da comunidade internacional, avançaram finalmente para a reconquista da cidade, capital do curdistão iraquiano. A batalha continua. A ofensiva está lançada também na Síria para reconquistar das mãos do EI a cidade de Raqqa, quartel general do califado naquele país.

Guerra no Iémen
O Iémen, um dos países mais pobres do mundo, não foi poupado em 2016. Vive desde 2015 numa guerra civil devastadora. Uma luta sem trèguas entre as forças leais ao governo internacionalmente reconhecido do presidente Abdrabbuh Mansour Hadi e o movimento rebelde dos Hutis. Cerca de 7 mil pessoas foram já mortas e mais de 35 mil feridas, a maioria em ataques aéreos levados a cabo por uma coligação internacional dirigida pela Arábia Saudita. O conflito está a provocar uma catástrofe humanitária com 80% da população a precisar de ajuda para sobreviver.

Processo de Paz na Colômbia
Quando tudo parecia encaminhado e o mundo saudava o acordo de paz alcançado entre o governo do presidente Juan Manuel Santos e as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia -, os colombianos rejeitaram o acordo em referendo. A diferença entre o « sim » e o « não » foi de apenas 60 mil votos, o suficiente para fazer entender a Bogotá e ao mundo que muitos colombianos não estão dispostos a enterrar assim cinco décadas de conflito e tudo o que ele significou para milhares de famílias. Resta a esperança de que, como prometeu Santos, o governo continue a negociar para alcançar uma saída e que as FARC continuem dispostas a não pegarem de novo em armas, como prometeu Timoshenko, o comadante rebelde. – O acordo valeu a Juan Manuel Santos o Prémio Nobel da Paz.


Ataques terroristas


2016 foi um dos anos de maior terror da última década. Dezenas de atentados por todo o mundo. Só na Turquia ocorreram 18, com mais de uma centena de mortos. As cidades mais atingidas foram Ancara e Istambul.

Bélgica
O terrorismo atacou o coração da Europa : A 22 de março, a Bélgica desperta para o pesadelo. Dois ataques sucessivos: um no aeroporto internacional de Bruxelas – Zavantem ; outro na estção de metro de Maelbeek, no bairro das instituições europeias : 35 pessoas mortas, quase 360 feridas. Um ataque em nome do Daesh.

França
Em Nice, no dia da festa nacional francesa, 86 pessoas perderam a vida quando Mohamed Laouhaiej Bouhlel, um tunisino de 31 anos, avançou com um camião sobre a multidão que celebrava o 14 de Julho, no Passeio do Ingleses. Um ataque em nome do Daesh.

Em Março, Salah Abdeslam, o único sobrevivente do comando dos atentados de Paris, que se encontrava em fuga, foi detido no bairro de Molenbeek, em Bruxelas, juntamente com quatro outros indivíduos. Em Abril foi extraditado para França e aguarda julgamento.

Alemanha
A Alemanha também não escapou imune : O mês de julho ficou marcado por ataques sucessivos. Em Munique um jovem de 18 anos matou a tiro 9 jovens num centro comercial e deixou feridas mais 35 pessoas ; num comboio, próximo da cidade de Wuzburg, um refugiado afegão feriu à machadada cinco pessoas ; na cidade de Ansbach, na Baviera, um refugiado sírio fez explodir uma mochila próximo da entrada de um recinto onde decorria um festival de música, tendo ferido pelo menos 12 pessoas. Já mesmo no final do ano, no dia 19 de dezembro, um camião irrompeu num mercado de Natal, na parte ocidental de Berlim, matando 12 pessoas e deixando feridas mais de 50. Um ato em tudo semelhante ao do Passeio dos Ingleses em Nice, cinco meses antes.

EUA
Nos Estados Unidos, no dia 12 de junho, um norte-americano, filho de pais afegãos, entrou a disparar na discoteca frequentada po homossexuais, Pulse, em Orlando, na Flórida, fazendo 50 mortos e 53 feridos. Outro ataque em nome do Daesh.


Acidentes e catástrofes


No dia 29 de novembro, o avião que transportava a equipa de futebol do clube brasileiro Chapecoense despenhou-se na Colômbia a cerca de 30 quilómetros de Medellin. 71 pessoas perderam a vida, entre as quais vários jogadores.

No dia 19 de março, um boeing 737, proveniente do Dubai, despenhou-se ao aterrar no aeroporto de Rostov-do-Don, na Rússia, matando 61 pessoas.

No dia 9 de fevereiro, a colisão de dois comboios, no estado da Baviera, na Alemanha, provoca a morte a uma dezena de pessoas e deixa uma centena e meia feridas.

A Itália foi, em 2016, particularmente atingida por tremores de terra. No dia 24 de agosto, a vila de Amatrice praticamente desapareceu. O sismo de magnitude 6,2 na escala de Richter matou 299 pessoas e deixou centenas sem casa.

Em outubro, o centro de Itália voltou a sofrer dois fortes abalos terrestres. Os terramotos não provocaram vítimas, mas inúmeras casas e edifícios ficaram em ruínas.

No Equador a terra também tremeu violentamente no dia 16 de abril. O sismo atingiu a magnitude 7,8 na escala de Richter, tendo matando 673 pessoas.

A Nova Zelândia voltou a ser atingida por dois fortes sismos, em Novembro, um de magnitude 7,8 na escala de Richter, outro de 6,3. Os sismos deixaram apenas duas vítimas mortais, mas provocaram danos muito elevados nas infraestruturas da ilha.

No total, o planeta sofreu 33 sismos de forte intensidade em 2016, dos quais resultou um balanço de 1331 mortos.


Acontecimentos políticos


Ao nível político, 2016 foi o ano de todos os « impensáveis » :

  • Dilma Rousseff foi destituída e substituída na presidência por Michel Temer;
  • os britânicos escolheram, em referendo sair da União Europeia, um referendo que ficou marcado pelo assassinato da deputada trabalhista, Jo Cox ;
  • Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos ;
  • os filipinos elegeram Rodrigo Duterte como presidente e,
  • em França, François Hollande, empurrado por um recorde de impopularidade, desiste da corrida eleitoral ao segundo mandato. Um facto inédito na V República.

António Guterres foi eleito, por unanimidade, secretário-geral das Nações Unidas.

Em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito, à primeira volta, Presidente da República.

A Espanha conseguiu finalmente, em outubro, formar um governo liderado por Mariano Rajoy, após dez meses de crise política e de tentativas frustradas, na sequência da eleição legislativa de dezembro de 2015.

O ano de 2016, como os dois anteriores, ficou marcado pela crise dos refugiados. O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) calcula em quase 66 milhões o número dos que tiveram que fugir de conflitos ou catástrofes. A Síria lidera o ranking com cerca de cinco milhões de refugiados.

Na área da saúde, o vírus o zika propagou-se endemicamente no continente sul-americano levando a OMS a lançar um alerta internacional e a gripe aviária regressou à Europa.

Desporto


Ao nível desportivo, o ano ficou marcado por dois grandes acontecimentos internacionais.


  1. Os Jogos Olímpicos do Rio, – de onde os Estados Unidos sairam largamente vencedores, com 121 medalhas, seguidos do reino Unido com 67 – e os Paralímpicos, onde a China arrecadou 239 medalhas e a Grã-Bretanha 147 ;

  2. O Campeonato Europeu de Futebol, no qual Portugal se sagrou, pela primeira vez, Campeão da Europa, na final contra a França. Foi a 10 de julho, no Stade de France, em Paris.


Os desaparecidos


Tanto no plano internacional como nacional, 2016 assistiu ao desaparecimento de inúmeras figuras de destaque no âmbito político, cultural e desportivo :

David Bowie – O primeiro grande nome da música desaparecido este ano. Bowie morreu aos 69 anos, no dia 10 de janeiro, vítima de câncro.

Prince – O lendário músico e cantor americano morreu no dia 21 de abril, aos 57 anos. Foi encontrado inanimado no elevador de acesso ao estúdio onde gravava, em Paysley Park, no Minnesota. Terá sido vítima de overdose.

Muhamad Ali – O mundo do boxe perdeu « o maior ». Muhammad Ali faleceu, no dia 3 de junho, aos 74 anos, após um último longo combate contra a doença de parkinson.

Umberto Eco – Escritor, filósofo, semiólogo e linguísta italiano, autor de várias obras de ensaio e romance, como « O Nome da Rosa » e « O Pêndulo de Foucault » faleceu no dia 19 de fevereiro, aos 84 anos.

George Martin – O produtor britânico, conhecido como o quinto Beatle, faleceu aos 90 anos, no dia 8 março.

Nicolau Breyner – O ator português faleceu no dia 14 de março, aos 75 anos, vítima de ataque cardíaco.

Alan Rickman – O ator britânico morreu aos 69 anos, vítima de cancro do pâncreas, no dia 14 de janeiro.

Ettore Scola – Um dos mais importantes realizadores italianos morreu no dia 19 de janeiro, aos 84 anos.

António Almeida Santos – Ministro de vários governos, presidente da Assembleia da República, dirigente socialista e membro do Conselho de Estado, Almeida Santos faleceu aos 89 anos, no dia 18 de janeiro.

George Michael – O músico inglês, de ascendência cipriota, morreu a 25 de dezembro, com 53 anos. O autor de “Last Christmas” terá morrido durante o sono, vítima de uma falha cardíaca.

Dario Fo – Ator italiano, comediante, cantor, diretor de teatro, encenador, compositor, pintor e ativista político, morreu a 13 de outubro, aos 90 anos.

Leonard Cohen – Ícone da música pop, morreu no dia 21 de setembro, aos 82 anos. Lutava contra um cancro, mas terá falecido na sequência de uma queda em casa.

Carrie Fisher – Atriz americana, a inesquecível princesa Leia da Guerra das Estrelas, faleceu a 27 de dezembro, em Los Angeles, vítima de uma crise cardíaca. Tinha 60 anos.

Debbie Reynolds – Somente algumas horas após a morte da filha, no dia 28 de dezembro, a mãe de Carrie Fisher, a atriz Debbie Reynolds, morreu também de ataque cardíaco. Tinha 84 anos.

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