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Tupolev 154: A trágica história de um avião com mais de 40 anos


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Tupolev 154: A trágica história de um avião com mais de 40 anos

O TU-154 é um avião da Tupolev, empresa aeronáutica de origem soviética. É um modelo desenvolvido no final dos anos 60 e lançado no início da década de setenta. Foi um dos últimos aviões para uso comercial a incluir um paraquedas integrados no sistema de travagem.

Depois de vários voos experimentais, o primeiro voo oficial foi registado em 1972 e o primeiro acidente ocorreu logo no ano seguinte, durante o festival aéreo de Paris (vídeo em baixo). Foi um dos aviões mais utilizados pelos antigos países comunistas do chamado bloco de leste e tem sido revisto em diferentes versões ao longo dos tempos.

É um aparelho de transporte de passageiros com três motores a jato à retaguarda, 47,90 metros de comprimento, 11,40 metros de altura e 37,55 metros de envergadura. Pode transportar até 180 pessoas, voar a 850 quilómetros/ hora, a 11 mil metros de altitude e com um raio de ação até quatro mil quilómetros.

É um avião com muita história, mas também, contudo, já com vários acidentes no currículo. Serão 40, com o do passado domingo, 25 de dezembro, ao largo de Sochi, a estância balnear no sudoeste da Rússia.

A preparar para breve, aqui na euronews um programa sobre aviação, o jornalista italiano Giovanni Maggi conta-nos que “o Tupolev 154 foi o modelo mais utilizado no final da era soviética e nos anos seguintes ao fim da Cortina de Ferro”.

“Nos diversos acidentes em que esteve envolvido, houve sempre causa humana, fosse de pilotagem ou de manutenção, ou foi provocado pelo intenso e prolongado uso do aparelho. A proibição de voo dos exemplares deste modelo ainda em atividade é uma compreensível medida de prevenção, mas acredito que dificilmente serão encontrados defeitos num modelo a voar já há 48 anos (desde os primeiros voos experimentais)”, perspetiva o nosso colega Gianni Maggi.

Às 05:25 da manhã do último dia de Natal, um TU-154, ao serviço da força aérea russa, desapareceu dos radares e despenhou-se no Mar Negro, pouco depois da descolagem do aeroporto de Sochi. Seguiam a bordo 92 pessoas. Não há sobreviventes.

O trágico currículo do TU-154

O de 25 de dezembro foi o último de uma longa lista de 40 acidentes registados com aparelhos TU-154. Resumimos os dos últimos 15 anos. No início de julho de 2001, um TU-154 da companhia VladivostokAvia despenhou-se perto do aeroporto de Irkutsk, na Sibéria. Um erro de pilotagem foi referido como causa da morte de 145 pessoas.

Três meses depois, a quatro de outubro, um outro Tupolev de três reatores à retaguarda despenhou-se junto a Adler, não muito longe de Sochi. Morreram 78 pessoas.

A 12 de fevereiro de 2002, um TU-154 das linhas aéreas regionais do Irão despenhou-se numa região montanhosa, a sudoeste de Teerão. Morreram 117 pessoas.

A 22 de agosto de 2006, uma outra unidade deste modelo Tupolev, operado pela companhia russa Poulkovo, despenhou-se no leste da Ucrânia, em Donetsk Oblast, junto à fronteira com a Rússia. Morreram 170 pessoas.

A 15 de julho de 2009, um outro TU-159 da companhia iraniana Caspian Airlines, a cumprir a ligação entre Teerão e Erevan, na Arménia, despenhou-se no norte do Irão. Não houve sobreviventes entre os 168 passageiros nem entre os membros da tripulação.

A 10 de abril de 2010, num voo em que seguia o chefe de Estado da Polónia, Lech Kaczynski, e outros altos responsáveis polacos figuraram entre os 96 mortos de um outro acidente envolvendo um TU-154, este no ocidente da Rússia, em Smolensk.

A 4 de dezembro do mesmo ano, uma aterragem fracassada no aeroporto de Domodedovo resultou na morte de duas pessoas e em dezenas de feridos.

No primeiro dia de 2011, um TU-154 da companhia russa Kolavia, entretanto rebatizada Metrojet e com a atividade suspensa desde o ano passado, pegou fogo no momento em que se colocava em fila de espera a aguardar ordem para descolar do aeroporto de Surgut, no centro da Rússia. Três pessoas morreram e cerca de quatro dezenas ficaram feridas.

Similar ao Boeing 727, o TU-154 tem vindo a perder espaço nas frotas das companhias que o adotara. A produção vinha a baixar desde os anos 90 e foi mesmo cancelada em 2013, ano em que a última unidade fabricada foi entregue à força aérea russa.

Com o acidente do último dia de Natal (ainda que para os ortodoxos russos o Natal se celebre apenas a 7 de janeiro), os voos dos modelos TU-154 ainda em atividade foram suspensos e, quem sabe, desta vez poderão mesmo não mais voltar a cruzar os céus.