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EUA: O mundo de Trump sem gays nem CO2 no novo site da Casa Branca


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EUA: O mundo de Trump sem gays nem CO2 no novo site da Casa Branca

A nova página da Internet da Casa Branca parece refletir, ao mesmo tempo, todos os receios e todas as promessas mais radicais da era Trump.

Desde a publicação do novo “site”, após a tomada de posse do novo presidente, na sexta-feira, que as redes sociais multiplicam as denúncias e revelações, depois de uma leitura atenta dos textos das novas secções.

A página, que integra o programa de Donald Trump para os próximos 100 dias, assim como a agenda e comunicações do novo chefe de Estado, suprimiu todos os capítulos referentes a temas como o aquecimento global ou aos direitos da comunidade gay e lésbica, introduzidos por Barack Obama.

O “menu” indigesto de Trump

Vários utilizadores nas redes sociais não hesitaram em sublinhar a ruptura entre as duas administrações, ao comparar o menu das prioridades dos dois chefes de Estado, na página oficial da presidência dos EUA.

O novo presidente, que assume o seu ceticismo quanto ao tema do aquecimento global, excluiu igualmente todos os artigos referentes a esta questão, defendendo apenas o fim da atual política ambiental de Obama no capítulo dedicado ao “Plano Energético América Primeiro”, onde avança mesmo com medidas para promover um plano dedicado ao “carvão verde”.

A imigração, um dos pontos do programa do anterior presidente e um dos temas de campanha do seu sucessor, surge referida apenas na secção dedicada ao “reforço da atuação das forças da ordem”.

Trump ‘no habla español’

A nova página da Internet excluiu igualmente a versão espanhola, quando o castelhano é a segunda língua mais falada no país. Um gesto que inflamou a revolta da comunidade latina, depois de Trump ter feito da imigração proveniente do México e da construção de um muro com o país vizinho, dois dos principais cavalos de batalha da sua campanha.

Biografia de Melania com referências publicitárias

Na sexta-feira, as redes sociais tinham igualmente obrigado os administradores do “site” a reescrever o texto do perfil da nova primeira-dama. Em causa, uma referência à marca de relógios e jóias lançada por Melania Trump, criticada como publicidade encoberta. A biografia, entretanto corrigida, referia que, “em abril de 2010, Melania Trump lançou a sua própria coleção de jóias – Melania Timepieces & Jewlery”.

Mas entre as mensagens e imagens críticas contra Trump que circulam nos últimos dias nas redes sociais nem todas provêm de particulares.

A conta twitter do Serviço de Parques Nacionais dos EUA publicou na sexta-feira as fotos das tomadas de posse de Obama e Trump, para mostrar a diferença entre o número de espetadores presentes na sexta-feira em Washington e aquele que assistiu à investidura de Obama em 2009.

A página foi obrigada a apresentar desculpas, “pelo erro”, no sábado, depois de ter sido proibida de publicar novas mensagens pela nova administração.

Obama na gaveta

Relógios e jóias à parte, as modificações na nova página do presidente dos EUA estão longe de ser uma surpresa, uma vez que correspondem às prioridades da equipa de Donald Trump.

A transição na presidência relegou o antigo site da administração Obama para os arquivos – na morada ObamaWhiteHouse.gov – desde o meio dia de sexta-feira.

O cartoon de Clay Bennett retrata um presidente alegadamente mais mais preocupado com as redes sociais do que com o país, sobretudo quando o novo chefe de Estado prossegue as acusações contra os media norte-americanos, acusados, por ele, de propagarem “notícias falsas”.

Para confirmar a verdade sobre o novo site da Casa Branca.