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May e Trump: Como conciliar posições tão diferentes?

Para alguns observadores, o casal May/Trump faz pensar no mítico Thatcher/Reagan dos anos 80.

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May e Trump: Como conciliar posições tão diferentes?

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Para alguns observadores, o casal May/Trump faz pensar no mítico Thatcher/Reagan dos anos 80. O Brexit e a eleição de Trump são com frequência referidos como fazendo parte do mesmo fenómeno político. Mas será que as visões dos dois líderes são compatíveis? A primeira ministra britânica parece acreditar nisso.

“Estou muito satisfeita de poder encontrar o presidente Trump assim tão cedo. Isto é um sinal da força da relação especial entre o Reino Unidos e os Estados Unidos que ele e eu queremos construir. Queremos chegar a um acordo que garanta que os interesses do Reino Unido estão primeiro e isso é que estou a fazer”, afirmou no parlamento.

Mas o entusiasmo da chefe do governo pode bem esbarrar com o protecionismo tão apregoado pelo presidente americano. Toda a gente se recorda desta frase, proferida no discurso de tomada de posse:

“De hoje em diante será apenas: Primeiro a América! Primeiro a América!

E ainda que Trump tenha expressado por diversas vezes o seu apoio ao Brexit e elgiado os britânicos por terem votado pela saída da União Europeia, não é garantido que dê a Theresa May um chèque em branco. Por outro lado, May não tem ainda as condições para negociar um acordo comercial com os Estados Unidos, uma vez que o Reino Unido está ainda ligado à União Europeia. Vai mais a Washington para conversar do que para negociar e assuntos de interesse estratégico não vão faltar, como a questão da NATO, após as recentes declarações de Trump: “Eu disse há muito tempo que a NATO tem problemas. Primeiro: está obsoleta porque foi criada há muitos anos; segundo: os países não estão a pagar o que deveriam”.

Londres, que continua a ser um dos pilares da Aliança Atlântica, deve reafirmar a sua importância. May está convencida que Trump a vai ouvir, mas deverá tratar com pinças a questão do nuclear iraniano e sobre a Rússia.

“Mesmo a América precisa de amigos e a Grã-Bretanha está a conseguir, em parte por sorte em parte por precaução, colocar-se na linha da frente”, diz o professor John Bew do Kings College de Londres, acrescentado:
no fim de contas, os dois líderes podem encontrar um terreno de entendimento face ao isolamento por que ambos estão a passar. Mas os seus interesses e conceções do mundo são bem diferentes dos que tinham nos anos 80 Teacher e Reagan”.