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"A Rainha das Fadas" encanta Viena


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"A Rainha das Fadas" encanta Viena

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A “Rainha das Fadas” (“The Fairy Queen”), de Henry Purcell, é um tributo à magia! À magia de William Shakespeare, à magia do palco e à magia do amor. Este ano, voltou a ser encenada e no final de janeiro foi apresentada no Teatro de Viena (Theater an der Wien), na Áustria.

No fosso de orquestra, “Les Talents Lyriques”, um grupo de músicos e cantores liderados pela batuta do fundador do coletivo, o famoso cravista e maestro francês Christophe Rousset, de 55 anos.

A ópera de Purcell revela-se um quebra-cabeças para a produção. Inspirada em “Sonho de Uma Noite de Verão”, de Shakespeare, faz parte do género semiópera: mistura uma série de atos encenados com a interpretação de trechos musicais independentes da ação no palco.

Para evitar o aborrecimento do público contemporâneo com um espetáculo demasiado longo e incoerente, uma agradável solução foi encontrada em Viena, como explicou à euronews Mariame Clément.

 

Henry Purcell (1659-1695)


Nasceu e viveu em Londres. Reiventou o que lhe foi ensinado e assimilou as principais influências recebidas dos principais centros muiscais europeus, em particular de França e Itália. Filho da Restauração, viveu e trabalhou durante três reinados da Casa Stuart e soube evoluir com as cortes. Os principais trunfos de Purcell eram a expressividade dramática e uma forte consciência da condição musical da palavra, uma criatividade melódico deslumbrante e um domínio invulgar das técnicas de escrita mais avançadas da época.
in Orquestra Metropolitana de Lisboa

Para a diretora desta encenação de “A Rainha das Fadas”, “o que é característico de ‘Sonho de Uma noite de Verão’ é o teatro dentro do teatro”. “São comediantes que montam uma peça de comediantes amadores a montar a peça ‘Píramo e Tisbe’. Decidimos, então, juntar mais uma camada: falar de pessoas que ensaiam ‘A Rainha das Fadas’, esta ópera que integra uma peça contendo outra peça”, revela.

“É simplesmente um pretexto para mostrar homens e mulheres parecidos aos que nós mesmos conhecemos, mas, ao mesmo tempo, mostrarmos as emoções, a verdade, a relação das coisas que nos tocam e que podem também tocar os espectadores mesmo que os que não conheçam o mundo do teatro, da ópera e dos ensaios”, defende Mariame Clément.

O maestro, por seu turno, diz que “nesta música, existe muita atração, simplesmente pela forma como filtra tudo o que se está a passar na Europa e em especial, evidentemente, em Itália”.

 

“A Rainha das Fadas”, de Purcell


“Em The Fairy Queen, Henry Purcell fez uma adaptação livre da comédia Um sonho de uma noite de verão de Shakespeare, confiando o protagonismo a Titânia, a rainha das fadas, conforme o título indica. Em verdade, não é uma ópera, no sentido do termo que costumamos associar à ópera italiana. A música só intervinha no final de cada um dos cinco atos. Por isso, designa-se hoje como semiópera.”
in Orquestra Metropolitana de Lisboa

“Depois surgem também muitos elementos franceses que Purcell recupera: os grandes corações, a dança e também a intimidade, mas há também, claro, os elementos ingleses como a polifonia de dissonâncias deliciosas que ele utiliza na partitura para a orquestra. A que se soma a intimidade de todas estas pequenas canções que se sucedem”, explica-nos Christophe Rousset.

A farsa e os disfarces eram também muito habituais naqueles tempos. Estes são também elementos que esta nova produção soube integrar com sucesso na encenação de “A Rainha das Fadas” em Viena. “Apesar das fanfarras, dos trompetes e dos tímpanos, diria que o mais interessante na obra do Purcell é o lado afetivo, o lado sentimental”, considera Rousset.

O maestro revela a intenção de “provocar o público com estes raros recursos, que exigem muita dedicação da interpretação”. “Não podemos maltratar esta música. Estamos obrigados a trata-la com carinho e a conseguir que tanto os músicos à nossa volta como os cantores sejam também extremamente cautelosos para não arruinarem um efeito que é delicado”, conclui.

Mariame Clément descreve “a floresta encantada de Shakespeare” como “uma metáfora de vários sentidos”: “aquela noite; aquele espaço; o período de tempo em que as pessoas vivem coisas nunca antes vividas e que as vão mudar e alterar para sempre.”

“Temos uma floresta; temos uma noite; mas a sala de ensaio, o palco, as semanas de ensaios, tudo isto é também um género de floresta encantada. É um local onde a magia acontece, onde sentimentos nascem e morrem, e onde qualquer coisa é criada e no espetro da magia”, garante a diretora de encenação.

“A Rainha das Fadas”, de Henry Purcell, com encenação de Mariame Clément e direção de Christophe Rousset esteve em cena no Teatro de Viena entre 19 e 30 de janeiro, com seis apresentações.

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