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Decretada prisão preventiva para jornalista turco-alemão detido na Turquia

Com a acusação de apoio a organizações terroristas e incitação à violência foi confirmada esta segunda-feira a prisão de Deniz Yücel, correspondente na Turquia do jornal alemão Die Welt, detido no dia

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Decretada prisão preventiva para jornalista turco-alemão detido na Turquia

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Com a acusação de apoio a organizações terroristas e incitação à violência foi confirmada esta segunda-feira a prisão de Deniz Yücel, correspondente na Turquia do jornal alemão Die Welt, detido no dia 14 de fevereiro depois de se ter apresentado voluntariamente à polícia em Istambul.

O deputado Baris Yarkadas, do Partido Republicano do Povo (CPH), o principal partido de oposição, contestou a prisão do jornalista diante do tribunal em Istambul:

“A prisão de Deniz Yücel foi um golpe contra a liberdade de pensamento. Deniz Yücel não fugiu, apresentou-se à polícia com os seus advogados, de forma voluntária, apesar de um mandado de busca”, disse Yarkadas.

O jornalista é acusado de “incitação ao ódio” e de “fazer propaganda a uma organização terrorista”, em referência ao grupo marxista DHKP-C, ao partido comunista MLKP e à guerrilha curda PKK.

Yücel possui dupla nacionalidade alemã e turca. Foi detido depois de ter publicado uma investigação baseada em revelações provenientes de e-mails do ministro da Energia, Berat Albayrak, genro do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan pirateados pelo grupo clandestino RedHack.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Sigmar Gabriel, considerou que a decisão da justiça turca mostra que a liberdade de imprensa não tem o mesmo valor nos dois países:

“Não vemos nenhuma razão para esta detenção. Temos esperança que as investigações respeitem a liberdade de imprensa e que Deniz Yücel seja libertado o mais rapidamente possível”.

No dia 18 de fevereiro, a chanceler Angela Merkel, pediu ao primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, que garantisse um processo transparente.

Can Dündar, ex-diretor do quotidiano de esquerda Cumhuriyet, atualmente a viver na Alemanha depois de ter passado vários meses na prisão na Turquia, escreveu no Twitter que a prisão de Yücel abre “uma nova crise diplomática” entre Ancara e Berlim.