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Eurodeputados chocados com lei húngara para deter requerentes de asilo


A redação de Bruxelas

Eurodeputados chocados com lei húngara para deter requerentes de asilo

A decisão de deter todos os requerentes de asilo que entrem na Hungria em contentores vigiados pela polícia foi condenada pelas Nações Unidas, pelo Conselho da Europa e por organizações não-governamentais.

A legislação aprovada, terça-feira, também chocou membros do Parlamento Europeu, que deverão debater o tema no plenário da próxima semana.

A eurodeputada liberal holandesa Sophie In’t Veld disse que “estou muito chocada e horrorizada, não só com o aspecto jurídico, mas enquanto ser humano”.

“É esta a maneira que gostariam de ser tratados se fossem refugiados? Há 50 anos havia refugiados húngaros. Não foram fechados em contentores, não foram atacados, não foram sujeitos a violência. Está na hora da Comissão Europeia atuar. Detenções aleatórias ou generalizadas de requerentes de asilo são uma violação da lei”, acrescentou a eurodeputada.

O grupo dos Verdes defende a abertura de um processo contra a Hungria que tem, também, rejeitando o sistema de quotas para recolocação de refugiados

Junta-se, ainda, a alegada violência policial denunciada por organizações humanitárias e de defesa dos direitos humanos, que recebem centenas de queixas.

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras disse que tratou 106 pessoa, entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2017, que apresentavam contusões, mordeduras de cão e sequelas causadas por gás pimenta.

A organização Comissão de Helsínquia Húngara, de defesa dos direitos humanos, recebeu queixas escritas de cerca de 500 refugiados, entre maio e dezembro de 2016.

O eurodeputado socialista austríaco Eugen Freund disse que “o governo húngaro, e agora o parlamento húngaro, dão passos que cada vez os distanciam mais dos valores da União Europeia. Penso que estas decisões são muito perigosas e não nos agradam de todo”.

Nenhum eurodeputado eleito pelo partido no poder na Hungria quis falar ao correspondente da euronews, Sandor Sziros, que acrescenta que “o governo de Budapeste disse que a lei aprovada visa dar segurança ao povo húngaro.