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A "Marcha de Izmir": uma música pela democracia na Turquia

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De  Euronews
A "Marcha de Izmir": uma música pela democracia na Turquia

<p>Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República da Turquia, é a figura central de uma música popular tornada cançõ de intervenção contra Erdogan e a mudança do país para um sistema presidencial. A “Marcha de Izmir” vem dos tempos da Guerra pela Independência e tem raízes numa das cidades mais ocidentalizadas da Turquia. </p> <p>Nos últimos meses, a canção tornou-se parte integrante do dia-a-dia dos habitantes de Izmir e transformou-se num símbolo do secularismo, da liberdade e do sistema parlamentar implementados no país por Atatürk.</p> <p>Para a oposição, a música tem-se revelado também uma forma de protesto indireto. Sobretudo agora, em vésperas do referendo constitucional exigido por Erdogan para reforçar os poderes presidenciais e que chama os turcos às urnas no próximo domingo, 16 de abril.</p> <div align="center"><iframe src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fersinkuskanat%2Fvideos%2F10155163410422579%2F&show_text=0&width=400" width="400" height="400" style="border:none;overflow:hidden" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" allowFullScreen="true"></iframe></div></p> <p>Em declarações à <b>euronews</b>, o cantor turco Ersin Kuskanat lembra-nos uma frase de Atatürk: “O artista é o primeiro a ver a luz”. </p> <p>Para o músico, o fundador da República da Turquia “era também um artista e terá visto que a luz nascia em Izmir”. “Não é preciso dizer muito mais. Todos percebem o que pretendemos dizer sem termos de o expressar abertamente”, garante Ersin Kuskanat.</p> <p>Visitámos uma antiga taberna de Izmir, onde podemos encontrar entre os clientes alguns deputados da principal força política da oposição na Turquia, o Partido Republicano do Povo, um partido fiel aos princípios e valores de Atatürk.</p> <p>Um desses deputados do <span class="caps">CHP</span> é Tacettin Bayir, que nos explica ser Izmir “uma cidade republicana e laica, onde ninguém se preocupa com a aparência dos outros”. “É uma cidade diferente da maioria na Turquia e nesta taberna canta-se a ‘Marcha de Izmir’ porque, quem aqui vem, vem em nome da democracia e da liberdade e aqui podem cantar o que quiserem”, enalteceu.</p> <div style="float: none; clear: both; width: 100%; position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 25px; height: 0;"> <iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" src="https://www.youtube.com/embed/ew_rBzJbcdw" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div></p> <p>Nas redes sociais da internet, alguns vídeos com a “Marcha de Izmir” têm vindo a tornar-se virais e há até artistas famosos a dar eco deste protesto simbólico. </p> <p>Fázil Sáy, um pianista turco conhecido mundialmente e assumido crítico do executivo do <span class="caps">AKP</span>, de Erdogan, já publicou na rede Instagram três versões diferentes da melodia desta música de intervenção.</p> <blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-version="7" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:8px;"> <div style=" background:#F8F8F8; line-height:0; margin-top:40px; padding:62.5% 0; text-align:center; width:100%;"> <div style=" background:url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAACwAAAAsCAMAAAApWqozAAAABGdBTUEAALGPC/xhBQAAAAFzUkdCAK7OHOkAAAAMUExURczMzPf399fX1+bm5mzY9AMAAADiSURBVDjLvZXbEsMgCES5/P8/t9FuRVCRmU73JWlzosgSIIZURCjo/ad+EQJJB4Hv8BFt+IDpQoCx1wjOSBFhh2XssxEIYn3ulI/6MNReE07UIWJEv8UEOWDS88LY97kqyTliJKKtuYBbruAyVh5wOHiXmpi5we58Ek028czwyuQdLKPG1Bkb4NnM+VeAnfHqn1k4+GPT6uGQcvu2h2OVuIf/gWUFyy8OWEpdyZSa3aVCqpVoVvzZZ2VTnn2wU8qzVjDDetO90GSy9mVLqtgYSy231MxrY6I2gGqjrTY0L8fxCxfCBbhWrsYYAAAAAElFTkSuQmCC); display:block; height:44px; margin:0 auto -44px; position:relative; top:-22px; width:44px;"></div></div> <p style=" margin:8px 0 0 0; padding:0 4px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/BSIWFzjh9jL/" style=" color:#000; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none; word-wrap:break-word;" target="_blank">İzmir marşı üzerine doğaçlamalar no 1: Chopin. Geçen ay paylaştığım bir videoydu.</a></p> <p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;">A post shared by Fazil Say (@fazilsay) on <time style=" font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px;" datetime="2017-03-27T05:48:18+00:00">Mar 26, 2017 at 10:48pm <span class="caps">PDT</span></time></p></div></blockquote> <script async defer src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p> <p>Pelas ruas, tem andado o líder distrital do <span class="caps">CHP</span> em Çeşme, cidade costeira próxima de Izmir. Ekrem Oran organiza campanhas pelo “não” no referendo e tenta explicar aos eleitores porque é que as alterações constitucionais propostas pelo Presidente Erdogan representam um ataque à democracia.</p> <p>“A ‘Marcha de Izmir’ tornou-se num protesto simbólico. Ou melhor, já é bastante evidente a orientação política que defende. Ouve-se pelas ruas, nas salas de concertos, nos estádios e é entoada por dezenas de milhares de pessoas, mas, tal como o movimento pelo ‘não’ no referendo, não pertence ao <span class="caps">CHP</span>”, garante Oran.</p> <p>Ainda assim, o dirigente do <span class="caps">CHP</span> apela a “todos os que acreditam num sistema parlamentar, numa Justiça independente e na República fundada por Atatürk” a aderir ao movimento pelo “não.”</p> <div style="float: none; clear: both; width: 100%; position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 25px; height: 0;"> <iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" src="https://www.youtube.com/embed/jAi3-OMW1LQ" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div></p> <p>A “Marcha de Izmir” assume-se assim uma canção de intervenção para todos. É uma música, não de separação, mas de união, e será um apelo à democracia e à liberdade, explica-nos Senada Sokollu.</p> <p>A correspondente da <b>euronews</b> sublinha que “a ‘Marcha de Izmir’ enaltece a figura de Atatürk, o fundador da República da Turquia e responsável pela implementação no país do sistema parlamentar, da modernidade e do secularismo”. “Para muitos, o referendo de 16 de abril representa uma ameaça a este legado de Atatürk”, conclui Senada Sokollu.</p>