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A "Marcha de Izmir": uma música pela democracia na Turquia

A "Marcha de Izmir": uma música pela democracia na Turquia
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De Euronews
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O fundador da República, Atatürk, é a personagem central desta canção de intervenção que tem vindo a ganhar eco entre a oposição ao Presidente Erdogan e a tornar-se num apelo ao "não" no referendo de

Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República da Turquia, é a figura central de uma música popular tornada cançõ de intervenção contra Erdogan e a mudança do país para um sistema presidencial. A “Marcha de Izmir” vem dos tempos da Guerra pela Independência e tem raízes numa das cidades mais ocidentalizadas da Turquia.

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Nos últimos meses, a canção tornou-se parte integrante do dia-a-dia dos habitantes de Izmir e transformou-se num símbolo do secularismo, da liberdade e do sistema parlamentar implementados no país por Atatürk.

Para a oposição, a música tem-se revelado também uma forma de protesto indireto. Sobretudo agora, em vésperas do referendo constitucional exigido por Erdogan para reforçar os poderes presidenciais e que chama os turcos às urnas no próximo domingo, 16 de abril.

Em declarações à euronews, o cantor turco Ersin Kuskanat lembra-nos uma frase de Atatürk: “O artista é o primeiro a ver a luz”.

Para o músico, o fundador da República da Turquia “era também um artista e terá visto que a luz nascia em Izmir”. “Não é preciso dizer muito mais. Todos percebem o que pretendemos dizer sem termos de o expressar abertamente”, garante Ersin Kuskanat.

Visitámos uma antiga taberna de Izmir, onde podemos encontrar entre os clientes alguns deputados da principal força política da oposição na Turquia, o Partido Republicano do Povo, um partido fiel aos princípios e valores de Atatürk.

Um desses deputados do CHP é Tacettin Bayir, que nos explica ser Izmir “uma cidade republicana e laica, onde ninguém se preocupa com a aparência dos outros”. “É uma cidade diferente da maioria na Turquia e nesta taberna canta-se a ‘Marcha de Izmir’ porque, quem aqui vem, vem em nome da democracia e da liberdade e aqui podem cantar o que quiserem”, enalteceu.

Nas redes sociais da internet, alguns vídeos com a “Marcha de Izmir” têm vindo a tornar-se virais e há até artistas famosos a dar eco deste protesto simbólico.

Fázil Sáy, um pianista turco conhecido mundialmente e assumido crítico do executivo do AKP, de Erdogan, já publicou na rede Instagram três versões diferentes da melodia desta música de intervenção.

İzmir marşı üzerine doğaçlamalar no 1: Chopin. Geçen ay paylaştığım bir videoydu.

A post shared by Fazil Say (@fazilsay) on Mar 26, 2017 at 10:48pm PDT

Pelas ruas, tem andado o líder distrital do CHP em Çeşme, cidade costeira próxima de Izmir. Ekrem Oran organiza campanhas pelo “não” no referendo e tenta explicar aos eleitores porque é que as alterações constitucionais propostas pelo Presidente Erdogan representam um ataque à democracia.

“A ‘Marcha de Izmir’ tornou-se num protesto simbólico. Ou melhor, já é bastante evidente a orientação política que defende. Ouve-se pelas ruas, nas salas de concertos, nos estádios e é entoada por dezenas de milhares de pessoas, mas, tal como o movimento pelo ‘não’ no referendo, não pertence ao CHP”, garante Oran.

Ainda assim, o dirigente do CHP apela a “todos os que acreditam num sistema parlamentar, numa Justiça independente e na República fundada por Atatürk” a aderir ao movimento pelo “não.”

A “Marcha de Izmir” assume-se assim uma canção de intervenção para todos. É uma música, não de separação, mas de união, e será um apelo à democracia e à liberdade, explica-nos Senada Sokollu.

A correspondente da euronews sublinha que “a ‘Marcha de Izmir’ enaltece a figura de Atatürk, o fundador da República da Turquia e responsável pela implementação no país do sistema parlamentar, da modernidade e do secularismo”. “Para muitos, o referendo de 16 de abril representa uma ameaça a este legado de Atatürk”, conclui Senada Sokollu.

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