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Marine Le Pen: A metamorfose da imagem do FN

A grande obra política de Marine Le Pen foi a profunda transformação do Front National (FN), o partido que herdou do pai, Jean-Mari Le Pen, em 2011.

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Marine Le Pen: A metamorfose da imagem do FN

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A grande obra política de Marine Le Pen foi a profunda transformação do Front National (FN), o partido que herdou do pai, Jean-Mari Le Pen, em 2011. O ponto de viragem foi, certamente, a decisão de o expulsar do partido, após ter proferido e repetido os comentários em que classificava as câmaras de gás nazis, como “detalhes da História”. Foi um gesto de forte simbolismo e o início da sua ofensiva de charme ao eleitorado francês.

Nos seis anos de liderança do FN, Marine foi suavizando a retórica combativa que a carateriza, à medida que se foi aproximando de um resultado presidenciável. O objetivo nunca esteve tão perto e o FN nunca esteve tão longe do deserto político em que tinha estagnado.

Os votos têm crescido em todos os escrutínios, nacionais, locais e mesmo europeus, graças à mensagem anti-imigração, anti-establishement e a um sentimento profundamente anti-europeu.

A estratégia passou também por substituir a sigla FN em muitos uportes de campanha, pelo se4u nome e uma rosa. Uma forma de atribuir ao FN um ar menos assustador e mais respeitável, ainda que a linha política seja a mesma: “Em nome de quê, deveríamos aceitar todos os anos 200 mil imigrantes, quando temos sete milhões de desepregados?”, vai martelando nos comícios.

A analista política, Isabelle Veyrat-Masson, diz que Marine Le Pen está a tentar captar os votos das mulheres: “A rejeição dos imigrantes, da imigração, a rejeição de tudo o que não é de origem francesa – como diz o outro – poderia conduzi-la a ser acusada de falta de coração, de emoção ou de compreensão, mas ela ultrapassa esses aspetos de forma surpreendente, através de um discurso sem aspereza, sem ódio, que faz dela uma excelente comunicadora”.

A campanha desta antiga advogada tem sido cuidadosamente coordenada e controlada, mas a candidata não escapou às escorregadelas legais e está sob investigação por suspeita de fraude na utilização dos fundos que lhe são destinados pelo Parlamento Europeu.

O escritor e analista político, Jean-Yves Camus, não acredita que as acusações possam impedir o partido de progredir:
“Ela está rodeada de uma geração de militantes que não tem a mínima intenção de passar 30 anos na oposição, sem ocupar postos de eleitos e sem chegar ao poder, por isso, ela faz tudo o que é preciso para que o partido se torne mais aceitável”.

Apesar disso, em França, os credores recusam-se a financiar-lhe a campanha, o que obrigou o partido a financiar-se no estrangeiro. Mas isto não impediu Marine Le Pen de desenvolver uma campanha sempre em ascensão.