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Foi necessária uma década e muito investimento, mas a indústria portuguesa da cortiça soube adaptar-se e sobreviver à forte queda da procura por rolhas de cortiça.

Hoje, a empresa líder mundial do setor, a Corticeira Amorim, assiste ao regresso do seu principal cliente: a indústria vinícola.

Carlos de Jesus, diretor de marketing da companhia, reconhece: “Recuando 12, 14 ou 15 anos, as perspetivas da cortiça eram tudo menos otimistas. Hoje, penso, estamos numa situação completamente diferente”.

Ao longo dos anos, os produtores de vinho substituíram as rolhas de cortiça pelo plástico e o metal, devido ao risco de deterioração do vinho. Mesmo assim, a cortiça manteve a imagem de corresponder ao vinho de qualidade e os produtores estão a voltar à cortiça.

João Ferreira, da Associação Portuguesa de Cortiça- APCOR, adianta: “A tendência é muito clara, o consumo mundial de vinho tem vindo a mudar da quantidade para a qualidade, ou seja, há menos mas melhor consumo. Os consumidores em todo o mundo têm uma enorme preferência pelas rolhas de cortiça em comparação com as alternativas”.

Segundo a Corticeira Amorim, o mercado mundial das rolhas de cortiça ronda atualmente os 70%. No final do século XX atingia os 95%.

Apesar da queda, o setor beneficia a economia nacional, já que Portugal produz 49% da cortiça mundial e possui 34% da área mundial de sobrado, com destaque para o Alentejo.

As exportações portuguesas de cortiça rondam 846 milhões de euros, dos quais 644 milhões de euros só em rolhas, segundo os dados da APCOR.