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UE-China: Acordo no clima, desacordo no aço


A redação de Bruxelas

UE-China: Acordo no clima, desacordo no aço

A China emergiu como o parceiro improvável da União Europeia em áreas tais como o livre comércio e as alterações climáticas.

Na declaração saída da cimeira em Bruxelas, sexta-feira, houve também conclusões sobre o problema da sobre capacidade global do aço e dos testes de mísseis da Coreia do Norte.

Face à política nuclear agressiva deste seu vizinho, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse que “a posição da China é consistente: estamos firmemente comprometidos com a desnuclearização da península coreana e somos contra os testes nucleares e os lançamentos de mísseis feitos pela Coreia do Norte”.

Contudo, a China considera que a atitude dos Estados Unidos nessa matéria é que ditará as reações na região.

Tal como ditou na questão do clima, tendo o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, explicado que “começámos a intensificar a nossa cooperação com a China sobre alterações climáticas”.

“A China e a Europa demonstram solidariedade para com as futuras gerações e uma atitude de responsabilidade para com todo o planeta. Estamos convencidos de que a decisão dos EUA de deixar o Acordo de Paris é um grande erro”, acrescentou Tusk.

Menos consensual a nível bilateral continuam a ser as questões industriais, com o presidente do executivo europeu, Jean-Claude Juncker, a sublinhar que “temos o problema do excesso de capacidade chinesa na produção de aço. Foi possível aproximar as nossas posições, mas ainda sem chegar a acordo”.

As duas partes vão continuar a negociar um futuro Tratado de Investimento, cujo processo foi aberto em 2013.

Juncker referiu-se a um relatório do Banco Mundial que coloca a China em 78 lugar, entre 190 países, em termos da facilidade para fazer negócios.

“Uma grande potência económica precisa de ficar acima da média”, disse Juncker, acrescentando que um tratado de investimento só é possível com garantias de relações recíprocas.

A França, a Alemanha e a Itália admitem a ideia de permitir que a União Europeia bloqueie o investimento chinês na Europa, se as empresas europeias continuarem a ter difícil acesso ao mercado chinês.

Em resposta, Li disse que a China estava a trabalhar para promover uma balança comercial equilibrada ao nível do turismo, onde a UE tem vantagem.

As oportunidades de investimento estrangeiro, disse Li, são muito diferentes de quando a China começou a abrir a sua economia.