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Trump muda de opinião e agora rejeita retirada do Afeganistão

Estados Unidos combatem os talibãs no país há 16 anos -- desde o 11 de setembro -- e há quatro anos o agora Presidente considerava tratar-se de "um desperdício de dinheiro."

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Trump muda de opinião e agora rejeita retirada do Afeganistão

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira à noite, na Virgínia, que “as ameaças de segurança” provenientes “do Afeganistão e da fronteira na região são imensas”, justificando assim a mudança de opinião sobre o que em 2013 considerou tratar-se de “um desperdício de milhões” e um “disparate” do então chefe da Casa Branca, Barack Obama.

Agora, Trump referiu que apesar do seu “instinto original” ter sido “retirar” as tropas do Afeganistão, agora admite que “as consequências de uma retirada rápida são previsíveis e inaceitáveis”. “Uma retirada precipitada iria criar um vazio que os terroristas, como o ISIL (n.: “daesh” ou grupo terrorista Estado Islâmico) ou a Al-Qaida, iriam rapidamente preencher”, avisou o volátil líder do Estados Unidos.


“Nós não somos de novo construtores de nações. Nós estamos a matar terroristas”, afirmou Trump num discurso difundido pela televisão, onde incluiu também a estratégia para o sul da Ásia, e no qual apontou também ao “vizinho da porta ao lado” do Afeganistão.

“Não podemos continuar calados sobre os refúgios seguros no Paquistão. O Paquistão tem muito a ganhar com o apoio que estamos a dar ao Afeganistão, mas também tem muito a perder ao continuar a dar abrigo a terroristas”, disse o Presidente americano.

Fonte das forças armadas paquistanesas, citada pela Reuters, garantiu segunda-feira terem sido tomadas medidas contra os jiadistas no país, incluindo a rede Haqqani, aliada dos insurgentes talibãs afegãos. “Não há esconderijos talibãs no Paquistão. Nós agimos contra todos os terroristas”, afirmou o major general Asif Ghafoor, em Islamabade.

No discurso proferido na Base conjunta Myer-Henderson, Trump sublinhou que os Estados Unidos devem “procurar um honrado e duradouro resultado merecedor dos tremendos sacrifícios feitos, em especial pelas vidas sacrificadas”.

“Os homens e mulheres que servem a nossa nação em combate merecem um plano para a vitória. Merecem as ferramentas necessárias e a confiança que fizeram por merecer para lutar e para vencer”, afirmou Trump sobre a nova estratégia para o Afeganistão na sequência do estudo que diz ter pedido de imediato após ter tomado posse em janeiro como Presidente.

“Estamos comprometidos na busca dos nossos objetivos partilhados de paz e segurança no sul da Ásia e na mais vasta região do Indo-Pacífico”, acrescentou Trump, num discurso proferido pouco mais de quatro anos após um conjunto de “twits” publicados entre 2012 e 2013 a defender a retirada imediata das tropas americanas do Afeganistão.




Pouco depois do discurso de Donald Trump, o secretário da Defesa norte-americano emitiu um comunicado a revelar a intenção do Pentágono em “consultar o secretário-geral da NATO e outros aliados” para aprofundar a estratégia anunciada antes pelo presidente, sublinhando que “alguns” dos referidos aliados “também já se comprometeram em reforçar a presença militar” no Afeganistão.

“Juntos, vamos ajudar as forças de segurança afegãs a destruir o eixo terrorista”, conclui Jim Mattis, no comunicado.


Os talibãs também reagiram, entretanto, ao discurso de Trump e prometeram transformar o Afeganistão num “novo cemitério” para os Estados Unidos se as tropas americanas não se retirarem do país.

“Enquanto houver nem que seja um só soldado americano no nosso país, vamos continuar a nossa jiad”, afirmou o porta-voz dos talibãs Zabihullah Mujahid, citado pela Reuters e pela AFP.