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Prémios MTV em fogo com Kendrick Lamar e política

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Prémios MTV em fogo com Kendrick Lamar e política

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Uma noite de Prémios MTV cheia de prémios, mas também de afirmações políticas.

Ainda antes de as estrelas atravessarem a carpete vermelha, a organização do evento assumia decisões: convidou seis militares transgénero a estar na zona de autógrafos O presidente da MTV, Chris McCarthy, disse a propósito do gesto à revista Billboard: “Qualquer patriota que arrisque a sua vida pela nossa liberdade e pela igualdade é um herói para a MTV e para a juventude em todo o lado.”.


A par dessa, uma outra decisão prévia: a de mudar o nome do icónico prémio Moonman (“Homem da Lua”, literalmente traduzido) para “Moon Person” (“Pessoa da Lua”, numa versão de género neutro).

Ed Sheeran levou o prémio de Artista do Ano e acumulou com o prémio lunar.


Mas foi Kendrick Lamar que aqueceu literalmente a noite. Não só por levar com ele seis dos oito prémios para que estava nomeado,- incluindo melhor vídeo do ano e de hip hop para Humble -, mas porque o trabalho musical que faz tem uma carga de consciência social imanente e, claro, porque, ao interpretar DNA e Humble, cometeu a proeza de pegar fogo a um homem no evento de entrega de prémios, numa interpretação de abertura. Humilde, mas cheio de fogo mesmo que nem só do de vista.



Katy Perry pode ter sido criticada pelo desempenho enquanto apresentadora, pelo menos a avaliar pelas redes sociais, mas também não deixou de fora a referência política denotativa a Donald Trump dizendo que estes eram tempos de apocalipse.

A subida ao palco de Susan Bro, mãe de Heather Heyer, vítima dos confrontos entre manifestantes pro supremacia branca e contra-manifestantes em Charlottesville foi particularmente relevante: a apresentá-la esteve um descendente de Robert E. Lee, general confederacionista, herói não consensual da Guerra Civil americana.


Khalid ganhou o prémio de Artista a Seguir, mas foi com Logic301, e também Alessia Cara, que o tema da prevenção do suicídio e da não discriminação contra a doença mental esteve em destaque no palco. O número de telefone citado na musica é o de uma linha de prevenção.



Taylor Swift estreou o seu novo vídeo Look What You Made Me Do no evento de domingo, fazendo jus a quem lhe reconhece uma capacidade de transformação soberba. O vídeo tem Swift em mais de 20 cenários e visuais diferentes.


Pink ganhou o prémio Michael Jackson Video Vanguard, num reconhecimento de carreira que incluiu uma produção assombrosa com carros a voar pelos ares, mas controladamente. Afinal, é Pink ao volante.


Houve ainda tempo para uma tocante homenagem de Jared Leto ao membro dos Linkin Park Chester Bennington, que se suicidou recentemente.


As Fifth Harmony ganharam o prémio de Melhor Vídeo Pop, mas se se ficasse pelo guarda-roupa, o prémio teria de ser entregue a Nicki Minaj, que fez virar cabeças em latex cor-de-rosa da cabeça aos pés e com elogios unânimes a encher a internet.



E, numa nota de fait-divers o que seria de um evento como este se não houvesse uma falha que quase desnuda alguém? Janet Jackson já passou por isso e sobreviveu muito bem, Cardi B não terá dificuldade em fazer o mesmo, até porque reagiu de imediato com graça e leveza.