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Jatos privados low cost: O sonho começa aqui.

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De  Antonio Oliveira E Silva
Jatos privados low cost: O sonho começa aqui.

<p>Os voos a <strong>custo reduzido</strong>, conhecidos geralmente pelo termo em inglês <strong><em>low cost</em></strong>, permitiram uma certa democratização das viagens de avião.</p> <p>Alguns dos amantes das viagens de <strong>mochila às costas</strong> trocaram o comboio pelo avião e as viagens entre Lisboa e e Berlim, entre Atenas e Amsterdão, fazem-se agora de forma mais rápida.</p> <p>É agora mais fácil viajar para destinos mais longínquos, destinos que as agências definem muitas vezes como <strong>“exóticos”</strong> ou <strong>“misteriosos”</strong> – que deixam de o ser assim que os pacotes de férias, acompanhados por estes voos <em>low cost</em> conquistam o destino em causa. <br /> <strong>Um voo <em>low cost</em> “não é um jato privado</strong> <br /> O gosto por viagens outrora inacessíveis a um preço aceitável para os bolsos das classes médias faz-nos esquecer que se viaja de outra forma: <strong>menos conforto</strong> nos aviões, filas de espera intermináveis, terminais pouco ou nada convidativos ou o facto de que até um copo de água possa ser recusado.</p> <p>Não são raras as vezes em que, depois de atrasos superiores a <strong>seis horas</strong>, a mudanças de portas de embarque sucessivas ou de embarques feitos num ambiente que chega <strong>a intimidar</strong>, com pessoal de terra (e de ar) que mais recorda o de um centro de detenção, é, muitas vezes explicado ao passageiro algo que, em diferentes língua, poderia resumir-se da seguinte forma: <strong>“pelo preço que se paga, não se pode esperar o serviço de um jato privado.”</strong> Uma hipótese que poderia estar agora mais perto da realidade.</p> <p><img src="https://static.euronews.com/articles/38/01/380128/640x400_bonus-flight2-640-400.jpg" alt="" /><br /> <em>Ante de um voo, ainda no hangar.(© Wingly)</em></p> <p>Nos últimos anos, várias pequenas empresas, <em>start ups</em>, desenvolveram <strong>ferramentas tecnológicas</strong> e <strong>modelos de negócio</strong> que lhes permitirão entrar no exclusivo mercado dos jatos privados, de forma a torná-lo mais acessível ao viajante com um poder aquisitivo médio.</p> <p>Em muitos casos, os preços mais acessíveis são possíveis graças à partilha de custos <em>flight sharing</em>. Diferentes passageiros organizam-se para alugar o aparelho.</p> <p>Outra possibilidade é aproveirar um jato que volta ao ponto de partida ou à sua base, de forma a <strong>rentabilizar</strong> o voo, que, de outra forma, se faria apenas com o piloto. Assim, unem-se <strong>interesses</strong> de empresas e passageiros, que se encontram nos lugares vazios. Métodos desenvolvidos por empresas como a Wingly.</p> <p><img src="https://static.euronews.com/articles/38/01/380128/640x400_bonus-flight1-640-400.jpg" alt="" /><br /> <em>Passageiros e piloto num voo Wingly. (© Wingly)</em></p> <p>A Wingly propõe um serviço que opera da mesma forma que, por exemplo, empresas de aluguer de apartamentos para curtos e médios espaços de tempo.</p> <p>Os possíveis passageiros são postos em contacto com os pilotos e, conhecidos os planos de voo dos aparelhos, podem ser feitas reservas.</p> <p>Os pilotos não beneficiam de lucros diretos, mas ganham em horas de voo – algo importante para a carreira – e reduzem, em alguns casos, os custos de um <em>hobby</em> com preços consideráveis.</p> <p>Claro que os preços de uma viagem através de uma empresa como a Wingly não estão ao mesmo nível das <em>low cost</em> tradicionais. Mas não andam longe.</p> <p>Uma pesquisa feita pela Euronews na Internet encontrou, por exemplo, um voo entre as cidades alemãs de Hannover e Berlim por <strong>99 euros</strong> em jato privado, na modalidade <em>low cost</em>. No mesmo dia, um bilhete para o mesmo trajeto custava <strong>129 euros</strong> numa companhia tradicional. <br /> <strong>Fatores a ter em conta</strong> <br /> É importante ter em conta algumas variáveis quando se contempla viajar com este tipo de empresas. Em primeiro lugar, os voos partem de aeródromos, muitas vezes longe dos grandes centros urbanos. </p> <p>E basta um primeiro alerta por mau tempo para que se cancelem. Ou seja, não se trata de uma boa opção quando a viagem é urgente ou importante.</p> <p>Se a <strong>Wingly</strong> é como uma empresa de aluguer de apartamentos e casas a curto prazo, a <strong>Surf Air</strong> funciona como um sistema de partilha de conteúdos por subscrição.</p> <p>Uma subscrição ou assinatura de cerca de <strong>2 mil euros</strong> por mês. Um custo elevado, mas que permite fazer vários trajetos por mês – sem limites – com o número de destinos possíveis a crescer de forma regular.</p> <p>Se pretende viajar de forma regular durante períodos de tempo determinados e bem definidos, este poderia ser um investimento pertinente.</p> <p><img src="https://static.euronews.com/articles/38/01/380128/640x480_bonus-flight5-640-480.jpg" alt="" /><br /> <em>O interior de um jato Falcon 2000LX (© Dassault Falcon Jet Corp., Dassault Aviation)</em></p> <p>Um serviço considerado como topo de gama é proposto pela <strong>Victor</strong>, aplicação que propõe viagens em aparelhos que regressam ao ponto de partida. É o modelo de negócio da empresa. Os jatos são, neste caso, realmente luxuosos, com características associadas aos aparelhos normalmente utilizados por gestores de grandes multinacionais e chefes de Estado.</p> <p>No entanto, neste caso, os preços, ainda que <em>reduzidos</em>, quando comparados com o que poderiam custar a um cliente regular, são ainda acessíveis para a maioria das pessoas. <br /> <strong>E em Portugal?</strong><br /> Os portugueses continuam a preferir as companhias de custo reduzido tradicionais, como a EasyJet, a Ryannair ou a Transavia.</p> <p>Segundo os cálculos de uma agência de viagens digital, a <strong>Kiwi</strong>, citados pelo <strong>Jornal de Negócios</strong>, um bilhete custa, ao consumidor português, cerca de <strong>5,97 euros</strong> por cada 100 quilómetros.</p> <p>Um custo apenas mais competitivo em países como a Roménia e a Bulgária.</p> <p>E o mercado parece aberto a este tipo de empresas, pelo que os jatos privados a custo reduzido têm de enfrentar uma concorrência forte, mesmo que ofereçam um grau de diferenciação de produto que lhes permite distinguir-se. Segundo a publicação digiral <strong>Ekonomista</strong>, exisitam, em 2016, 21 companhias aéreas <em>low cost</em> a operar em Portugal.</p> <p><strong>Com Aurora Vélez</strong></p>