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Suécia acolhe cimeira da UE sobre emprego digno e direitos sociais

A cidade sueca de Gotemburgo acolhe, sexta-feira, a primeira cimeira social da União Europeia, que visa dar um novo impulso ao emprego digno e direitos sociais.

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Suécia acolhe cimeira da UE sobre emprego digno e direitos sociais

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A cidade sueca de Gotemburgo acolhe, sexta-feira, a primeira cimeira social da União Europeia, que visa dar um novo impulso ao emprego digno e direitos sociais.

A escolha não foi acidental já que a Suécia é um dos melhores exemplos de Estado social, mas um estudante universitário de tecnologias de informação disse à euronews que “é necessária maior motivação para que as pessoas trabalhem em vez de confiarem apenas na ajuda do governo”.

Apesar de registar um acelerado crescimento económico, Gotemburgo tem visto aumentar o fosso entre riscos e pobres, que quadruplicou nem 20 anos, segundo um estudo encomendado pela autarquia.

“Não é um paraíso. Quando se vive na Suécia é que se percebe todas as desvantagens e todas as injustiças que existem. No resto da Europa, todos dizem que a Suécia é um país bom para viver, mas não é bem assim. É difícil encontrar trabalho e é difícil educar as crianças”, disse uma residente no subúrbio de Biskopsgarden.


Na véspera da cimeira, a enviada especial da euronews, Efi Koutsokosta, entrevistou Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia.

euronews: O modelo social europeu está em risco hoje em dia?

Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia: Sim, um pouco. Penso, que de modo geral, temos visto, ao longo dos ano, aumentar o fosso entre diferentes classes sociais dentro dos Estados-membros e do fosso entre os diferentes Estados-membros. Aumenta o fosso entre quem tem emprego e quem não tem. O mesmo se passa noutros grupos da população e penso que isso é perigoso. É algo que ameaça, de facto, o conceito de Europa social. Também temos visto cada vez mais pessoas de extrema-direita e racistas a marcharem nas ruas da Europa, formando movimentos que vão ganhando apoio. Um Estado-membro decidiu, em referendo, abandonar a União Europeia. Enfrentamos um sério risco.

euronews: A União Europeia vai conseguir falar a uma só voz, tendo em conta as divergências entre os Estados-membros, especialmente no que se refere aos empregos digno e aos direitos sociais?

Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia: Podemos dizer que sim e que não, porque o modelo social europeu é plural. Existem experiências e modelos muito diferentes nos diversos Estados-membros. Mas podemos cooperar mais e ajudarmo-nos uns aos outros para ter uma crescente convergência. Isso acontecia antes da crise económica. Mas também não podemos lidar com a questão através da imposição do mesmo modelo e da mesma legislação para todos os Estados-membros, porque não resultaria”.


euronews: A economia global também está à beira de uma nova revolução tecnológica, que muitos descrevem como a quarta revolução industrial. Pensa que a Europa está preparada? Muitos analistas dizem que vai levar à perda de postos de trabalho.

Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia: Não, não estamos suficientemente preparados. Mas estou otimista face a esse cenário porque a globalização e as inovações tecnológicas vão ajudar-nos a ter uma vida melhor e empregos mais dignos. Claro que temos que investir nas pessoas para que elas possam adquirir mais conhecimentos e competências e fazerem parte desta realidade. Não devemos ter medo das novas tecnologias ou das mudanças. Devemos abraçá-las. Para isso temos de investir em maior igualdade social para que todos possam sentir, de facto, que também podem tirar proveito das novas oportunidades.

euronews: O que é mais necessário neste momento: criar emprego, promover o crescimento, mais investimentos? Qual pensa ser a prioridade para se conseguir maior progresso?

Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia: O mais importante é perceber que não há contradição entre o crescimento económico e o progresso social: andam de mãos dadas. E temos uma experiência muito boa na Suécia. Quando investimos em cuidados acessíveis e de qualidade para a infância temos um melhor crescimento económico e mais mulheres a entrarem no mercado de trabalho. Temos muitos exemplos com esse, que mostram que as duas questões estão ligadas e que são, efetivamente, núcleo do modelo social europeu.