Suécia acolhe cimeira da UE sobre emprego digno e direitos sociais

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De  Isabel Silva
Suécia acolhe cimeira da UE sobre emprego digno e direitos sociais

<p>A cidade sueca de Gotemburgo acolhe, sexta-feira, a primeira cimeira social da União Europeia, que visa dar um novo impulso ao emprego digno e direitos sociais. </p> <p>A escolha não foi acidental já que a Suécia é um dos melhores exemplos de Estado social, mas um estudante universitário de tecnologias de informação disse à euronews que “é necessária maior motivação para que as pessoas trabalhem em vez de confiarem apenas na ajuda do governo”. </p> <p>Apesar de registar um acelerado crescimento económico, Gotemburgo tem visto aumentar o fosso entre riscos e pobres, que quadruplicou nem 20 anos, segundo um estudo encomendado pela autarquia. </p> <p>“Não é um paraíso. Quando se vive na Suécia é que se percebe todas as desvantagens e todas as injustiças que existem. No resto da Europa, todos dizem que a Suécia é um país bom para viver, mas não é bem assim. É difícil encontrar trabalho e é difícil educar as crianças”, disse uma residente no subúrbio de Biskopsgarden.</p> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="en"><p lang="en" dir="ltr">Gothenburg braces for EU social summit – The Local Sweden <a href="https://t.co/4i3kz4fn6s">https://t.co/4i3kz4fn6s</a></p>— patrizio okechukwu (@Patroyale) <a href="https://twitter.com/Patroyale/status/930420222581968897?ref_src=twsrc%5Etfw">November 14, 2017</a></blockquote><br /> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Na véspera da cimeira, a enviada especial da euronews, Efi Koutsokosta, entrevistou Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia. </p> <p>euronews: O modelo social europeu está em risco hoje em dia? </p> <p>Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia: Sim, um pouco. Penso, que de modo geral, temos visto, ao longo dos ano, aumentar o fosso entre diferentes classes sociais dentro dos Estados-membros e do fosso entre os diferentes Estados-membros. Aumenta o fosso entre quem tem emprego e quem não tem. O mesmo se passa noutros grupos da população e penso que isso é perigoso. É algo que ameaça, de facto, o conceito de Europa social. Também temos visto cada vez mais pessoas de extrema-direita e racistas a marcharem nas ruas da Europa, formando movimentos que vão ganhando apoio. Um Estado-membro decidiu, em referendo, abandonar a União Europeia. Enfrentamos um sério risco. </p> <p>euronews: A União Europeia vai conseguir falar a uma só voz, tendo em conta as divergências entre os Estados-membros, especialmente no que se refere aos empregos digno e aos direitos sociais? </p> <p>Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia: Podemos dizer que sim e que não, porque o modelo social europeu é plural. Existem experiências e modelos muito diferentes nos diversos Estados-membros. Mas podemos cooperar mais e ajudarmo-nos uns aos outros para ter uma crescente convergência. Isso acontecia antes da crise económica. Mas também não podemos lidar com a questão através da imposição do mesmo modelo e da mesma legislação para todos os Estados-membros, porque não resultaria”. </p> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="en"><p lang="sv" dir="ltr">“Today, more than ever, we need innovation to create better solutions” Charles Leadbeater, läs mer om en av årets keynote speakers på Social Innovation Summit. <a href="https://t.co/3HxokauOj2">https://t.co/3HxokauOj2</a><a href="https://twitter.com/hashtag/sisummit17?src=hash&ref_src=twsrc%5Etfw">#sisummit17</a></p>— <span class="caps">MSI</span> (@MSISweden) <a href="https://twitter.com/MSISweden/status/928573564017659905?ref_src=twsrc%5Etfw">November 9, 2017</a></blockquote><br /> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>euronews: A economia global também está à beira de uma nova revolução tecnológica, que muitos descrevem como a quarta revolução industrial. Pensa que a Europa está preparada? Muitos analistas dizem que vai levar à perda de postos de trabalho. </p> <p>Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia: Não, não estamos suficientemente preparados. Mas estou otimista face a esse cenário porque a globalização e as inovações tecnológicas vão ajudar-nos a ter uma vida melhor e empregos mais dignos. Claro que temos que investir nas pessoas para que elas possam adquirir mais conhecimentos e competências e fazerem parte desta realidade. Não devemos ter medo das novas tecnologias ou das mudanças. Devemos abraçá-las. Para isso temos de investir em maior igualdade social para que todos possam sentir, de facto, que também podem tirar proveito das novas oportunidades.</p> <p>euronews: O que é mais necessário neste momento: criar emprego, promover o crescimento, mais investimentos? Qual pensa ser a prioridade para se conseguir maior progresso? </p> <p>Ylva Johansson, ministra do Emprego da Suécia: O mais importante é perceber que não há contradição entre o crescimento económico e o progresso social: andam de mãos dadas. E temos uma experiência muito boa na Suécia. Quando investimos em cuidados acessíveis e de qualidade para a infância temos um melhor crescimento económico e mais mulheres a entrarem no mercado de trabalho. Temos muitos exemplos com esse, que mostram que as duas questões estão ligadas e que são, efetivamente, núcleo do modelo social europeu.</p>