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Abelhas sem comida são alimentadas a açúcar em Portugal

Governo está a distribuir alimento alternativo para combater os efeitos da seca e dos incêndios no centro e no norte do país, mas ajuda pode revelar-se insuficiente.

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Abelhas sem comida são alimentadas a açúcar em Portugal

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As abelhas portuguesas estão a ser alimentadas de forma artificial com melaço para combater a fome provocada pela seca e pelos fortes e trágicos incêndios dos últimos meses.

O Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural tenta minimizar a estimada quebra de 80 por cento na produção de mel provocada em Portugal por um ano muito severo e desde a semana passada iniciou uma operação de apoio aos apicultores mais afetados, com a distribuição de cerca de 120 toneladas de açúcar para produção de melaço, o alimento alternativo das abelhas.

A Cooperativa Agrícola e Apícola das Beiras (CoopBei) abriu domingo em Mangualde uma das quatro plataformas estabelecidas nas regiões mais sensíveis para receber o açucar. As restantes localizam-se em Mirandela, Castelo Branco e Batalha.

À Rádio Jornal do Centro, Lopes Ribeiro, da CoopBei, explicou que os apicultores da região centro receberão 50 toneladas de açúcar. A cada um deverá caber três quilos por colmeia, numa iniciativa descrita pelo responsável como “inédita da parte do Estado” e que deverá permitir “perfeitamente” às abelhas resistir ao inverno até à próxima época apícola.

Lopes Ribeiro avisa contudo que a ajuda poderá revelar-se insuficiente se a seca se prolongar no centro e no norte de Portugal, levando a que os apicultores necessitem de mais ajuda do governo. O dirigente revelou ainda que a CoopBei está a fornecer abelhas-rainha ibéricas de forma gratuita e colmeias ao preço de custo.

Apicultor na serra de Montesinho, em Trás-os-Montes, Luís Correia explica o “ano bravo” ainda em curso com “uma primavera muito seca” e “um verão muito quente e muito seco”.

“Depois não houve outono. Há três meses que as nossas abelhas não conseguem qualquer coleta de mel. É um ano francamente de fome e muito fraco em termos apícolas”, afirmou, em declarações à RTP, o apicultor da Casa do Serra, da Apimonte.