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Trump e o Efeito Jones: Democratas esperam novo ciclo

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Trump e o Efeito Jones: Democratas esperam novo ciclo

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A vitória do Democrata Doug Jones, de 63 anos, antigo procurador federal para o Senado no estado do Alabama (sul), representa, para muitos membros do partido de Clinton e Obama, o início de um novo ciclo, depois da perda das presidenciais de novembro do ano passado para Donald Trump, do lado Republicano.

Há quem fale num presságio para as eleições de 2018. Foi a primeira vez num quarto de século que os Democratas elegeram um representante para o Senado.

Os Republicanos procuram encontrar respostas para uma derrota num dos estados mais social e politicamente conservadores da União.

A campanha eleitoral do Alabama, considerado como um dos estados do sul profundo, o deep south, dominou a atualidade nos EUA, depois de conhecidas as acusações de alegadas agressões sexuais da parte de sete mulheres contra o candidato Republicano, o ultraconversador Roy Moore, de 70 anos.

As eleições intercalares no Alabama tiveram como objetivo a subsituição do Senador Republicano Jeff Sessions, que assumiu o cargo de Secretário da Justiça, Attoeny General, este ano.

O efeito Jones poderá afetar o mandato de Trump

Moore recebeu o apoio de Donald Trump, numas eleições consideradas para a direita dos Estados Unidos como uma mera formalidade, pelo menos até ao momento em que foram divulgadas as primeiras acusações.

A derrota dos Republicanos representa um duro golpe contra o presidente Donald Trump.

No entanto, o presidente disse aos jornalistas, numa conferência de imprensa na Casa Branca, que os resultados do Alabama não iriam afetar a sua agenda política. Espera-se que os Republicanos ajudem à aprovação de um conjunto de reformas fiscais até ao fim do ano, vista pela oposição como uma medida que apenas ajuda aos mais ricos no país.

O presidente tinha apoiado inicialmente outro candidato, Luther Strange, que acabou por perder nas primárias Republicanas frente a Roy Moore. Agora, o presidente, que acabou dar o seu apoio ao candidato Moore, diz que não o apoio desde o inicio "porque sabia que este não iria ganhar as eleições."

Otimismo Democrata

O líder da minoria Democrata no Senado, Chuck Summer, que mostrou o lado mais otimista do partido em algum tempo, disse que a derrota de Roy Moore mostrava o quanto os eleitores do presidente Trump estavam descontentes com as suas políticas.

"Se eles (os Republicanos) continuarem a dirigir o Governo em benefício dos mais ricos e privilegiados, vai haver mais Alabamas em 2018", disse.

O poder do voto afro-americano no Alabama

Os negros representam mais de 26% dos quase cinco milhões de residentes no estado do Alabama. De acordo com a agência Reuters, os resultados de terça-feira demonstram que a mobilização desta comunidade, que tende a votar democrata, foi essencial para a vitória de Doug Jones.

O candidato Democrata obteve também bons resultados nas regiões metropolitanas maioritariamente brancas e de classe média de grandes cidades do Alabama, como Birmingham e Hunstville, algo que deixa os Republicanos nervosos para próximos comícios.