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'Rambo', o piloto rebelde, novo mártir dos venezuelanos

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'Rambo', o piloto rebelde, novo mártir dos venezuelanos

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Morreu Oscar Pérez, conhecido como o 'Rambo' da Venezuela, numa operação levada a cabo pela polícia. A morte de Pérez foi confirmada pelo ministério do Interior, Justiça e Paz.

No início da semana, Pérez, 'o piloto rebelde' surgiu em vários vídeos, colocados na rede social Instagram, com a cara ensanguentada.

Contava estar cercado por agentes da polícia, que tentavam matá-lo. Na operação, morreram também outros ativistas contra o Governo chavista de Nicolás Maduro.

Oscar Pérez, numa imagem obtida a partir de um dos vídeos que colocou na rede social Instagram, antes de morrer. Reuters

O ministro do Interior, Nestor Reverol, disse, num discurso transmitido pela televisão Estatal Venezolana de Televisión, que "sete terroristas" tinham sido assassinados numa operação, nos arredores de Caracas.

Oscar Pérez ficou conhecido depois de ter atacado edifícios do Governo venezuelano com recurso a um helicóptero roubado numa base militar. O piloto rebelde disparou e lançou granadas contra o ministério da Administração Interna e contra o Tribunal Supremo.

'Rambo' apelou depois à revolta contra o presidente Maduro e assumiu a total responsabilidade pelo ataque, que disse ser contra "um Governo de um tirano".

Descrito pelo Executivo chavista como "um terrorista fanático", Pérez apareceu, em várias ocasiões, em vídeos, partilhados milhares de vezes nas redes sociais, na Venezuela e um pouco por toda a América Latina.

Houve quem desconfiasse, na Venezuela, que os ataques de 'Rambo', o piloto rebelde, tinham sido uma manobra para justificar mais uma repressão do Governo.

Um crise sem precedentes desde o Caracazo dos anos 80

A confirmação oficial da morte do piloto abalou a Venezuela. Várias organizações de defesa dos Direitos Humanos falam de uma "execução" e apelam ao respeito pela população.

Apesar de ser um dos grandes produtores de petróleo do mundo, a Venezuela sofre uma crise económica, social e política sem precedentes, desde as manifestações conhecidas como o Caracazo, na primeira metade dos anos 80.

Milhares de pessoas não têm dinheiro para comprar alimentos básicos e muitas pessoas, antes parte de uma classe média remediada, passam por episódios de subnutrição. O problema afeta especialmente as crianças.

O sistema venezuelano de saúde sofre também com a crise. Não há medicamentos nos hospitais, as infraestruturas de saúde estão em péssimo estado os profissionais esperam meses por salários em atraso.

Nicolás Maduro, no entanto, continua firme nas políticas económicas que tem levado a cabo nos últimos meses. O presidente da Venezuela culpa uma alegada "guerra económica", da responsabilidade do "império dos Estados Unidos", que se baseia em ações de desestabilização em sanções políticas e económicas.