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Salvador Sobral à Euronews: "Tudo o que faço é cantar"

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Salvador Sobral à Euronews: "Tudo o que faço é cantar"

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O primeiro vencedor português de uma edição de um Eurofestival da Canção, Salvador Sobral, recebeu um European Boarder Breaker Award, como reconhecimento do seu sucesso internacional como cantor.

No entanto, Salvador não irá buscar o prémio em pessoa por encontrar-se em recuperação do transplante de coração, que recebeu no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa. 

A operação foi um sucesso e a equipa média disse à imprensa portuguesa que Salvador se encontrava bem e "muito animado".

"Sinto-me melhor a cada dia que passa"

En entrevista à Euronews, o cantor português confirmou que se sentia melhor. "Sinto-me melhor a cada dia que passa. Mas tenho de pensar que é preciso algum tempo para recuperar de uma operação como esta."

"Mas sinto-me muito motivado quando penso nas surpresas que me reserva o futuro. Penso muito no meu novo álbum e mal posso esperar para voltar aos palcos."

O cantor português foi catapultado para a fama em toda a Europa depois de ter vencido a edição de 2017 do Eurofestival, com a canção "Amar Pelos Dois", uma balada escrita pela irmã, Luísa.

O público da Euronews elegeu-o a Personalidade do Ano 2017, numa votação realizada online.

Salvador Sobral foi o primeiro vencedor português do Eurofestival da Canção, que teve lugar em Kiev, na Ucrânia, em maio do ano passado.Reuters

Um vencedor do Eurofestival fora do vulgar

Salvador não é o típico vencedor do Eurofestival, pelo menos dos últimos anos, altura em que o concurso, criticado por muitos, era considerado como demasiado conservador, para uns, e demasiado pop, para outros. 

O cantor subiu ao palco com um tema e uma prestação marcados por algo que poucas vezes tem dado frutos no Eurofestival: a sobriedade.

É caso para dizer que "menos foi mais". Um tema em que Sobral é gracioso, naturalmente delicado, mas que deixa uma marca. 

O melhor lugar que Portugal tinha conseguido, em quase 50 tentantivas, desde António Calvário, em 1964, foi um sexto lugar, em Oslo, com a canção "O meu coração não tem cor", interpretada por Lúcia Moniz.

Em 2017, na capital ucraniana, a canção portuguesa estava entre as favoritas, o que, muitas vezes, pouco ou nada quer dizer. Não foram poucas as vezes em que as canções preferidas nas casas de apostas terminaram nos últimos lugares.

"Aconteceu tudo muito depressa"

Mas, durante a votação da final, a canção dos irmãos Sobral tomou a dianteira desde o primeiro júri, para nunca sair do primeiro lugar.

"Penso que a palavra perfeita para descrever o que senti foi 'avassalador', explicou o cantor. "Aconteceu tudo muito depressa."

Depois da vitória em Kiev, Salvador não teve uma experiência como a de grande parte dos vencedores. Depois de participar numa série de espetáculos, no verão passado, os problemas no coração agravaram-se.

Decidiu fazer uma pausa e teve mesmo de cancelar uma série de concertos, depois de uma emotiva despedida na cidade de Cascais, no passado mês de setembro.

"Foi um festival de lágrimas", recorda o cantor à Euronews. 

"Como não sabia quando iria estar de volta, tal como não o sabiam as outras pessoas, foi um momento carregado de emoção."

Um cantor muito querido pelo seu país

Salvador Sobral parece continuar no coração dos portugueses. O cantor tem-se mostrado incrivelmente próximo dos problemas que afetam o país.

No ano passado, doou os lucros do seu CD "Excuse Me" a um fundo, destinado a ajudar as vítimas de Pedrógão Grande, na região devastada pelos incêndios de verão. Salvador deu ainda um concerto a favor das famílias das vítimas dos incêndios.

Os European Boarder Breaking Awards têm a sede em Groningen, nos Países Baixos, e são parcialmente financiados pela Comissão Europeia.

Os EBBA destinam-se a jovens artistas do velho continente. Salvador Sobral encontrava-se entre nove finalistas, que se destacaram pelo sucesso fora dos seus países de origem.

"Sinto-me sempre um pouco estranho, já que não sinto que mereço qualquer prémio", disse Sobral à Euronews.

"Tudo o que faço é cantar, que é aquilo de que gosto e que faço de forma natural."

A canção portuguesa marcou a diferença, em mais uma edição do Eurofestival marcada pelo recurso a uma instrumentação pop, acompanhada de efeitos especiais, num evento musical que eliminou a presença de uma orquestra e de maestros há 19 anos. A última vez que uma orquestra tocou canções ao vivo num Eurofestival foi em 1998, em Birbimgham.

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