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Começou o julgamento de Mikheil Saakashvili em Tbilisi

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De  Maria Barradas  com EFE
Começou o julgamento de Mikheil Saakashvili em Tbilisi
Direitos de autor  AP Photo   -  

Na Geórgia, a polícia deteve 46 pessoas durante as manifestações de apoio ao antigo presidente Mikheil Saakashvili, detido e hospitalizado.

O julgamento do ex-chefe de Estado começou esta quarta-feira, sem a sua presença. Saakashvili manifestou desejo de assistir ao julgamento, mas o tribunal alega que está em condições de saúde frágeis.

A defesa apresentou recurso e alega, por seu turno, que o tribunal não tem direito moral de prosseguir o julgamento sem a presença do acusado.

Os protestos na rua sucedem-se há vários dias pedindo que seja transportado para uma clínica privada. Apesar das cargas policiais, os manifestantes não tencionam desistir, como refere a deputada da oposição, membro do Movimento de União Nacional, Ana Tsitlidze.

"Todos os dias serão realizadas ações de protesto em vários locais. Onde quer que possamos, criaremos problemas e desconforto para o governo. Devem saber que até que as nossas exigências sejam satisfeitas, e antes de mais, até que Saakashvili seja transferido para uma clínica privada onde seja possível tratá-lo, estaremos em todo o lado, em frente de todos os edifícios administrativos".

Saakashvili foi detido no dia 1 de outubro, quando regressou à Geórgia, após oito anos em fuga.

Está a ser julgado pela repressão sangrenta de uma manifestação da oposição em 2007 quando era presidente, tem outros casos pendentes na justiça que lhe podem valer até 11 anos de prisão e foi condenado em 2018, à revelia, a três e seis anos de prisão por corrupção e abuso de poder.

Está em greve de fome desde que foi detido. Segundo um dos advogados, a saúde de Saakashvili tem vindo a deteriorar-se.

A próxima audiência do tribunal está prevista para 29 de novembro.

Na terça-feira, Saakashvili denunciou que foi agredido no hospital penitenciário para onde foi transferido. Diz que lhe mentiram, dizendo que iria para uma clínica na cidade e conta: "Tiraram-me do carro, arrastaram-me pelo chão e bateram-me várias vezes no pescoço, depois arrastaram-me pelo cabelo e resisti, claro".

O homem que governou o país entre 2004 e 2013 tem apelado aos seus seguidores que continuem os protestos porque, diz: "É preciso salvar o país, que caiu nas mãos de delinquentes e se encontra à beira do abismo".