ONU: Haiti faz pedido desesperado de envio de força internacional

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De  Euronews
Haiti tem sido palco de vários protestos
Haiti tem sido palco de vários protestos   -   Direitos de autor  Odelyn Joseph/Copyright 2021 The AP. All rights reserved

O pedido do Haiti, para o envio de uma força armada internacional, divide o Conselho de Segurança da ONU.

Os EUA defendem a ideia, mas a Rússia e a China têm reservas, apesar todos condenarem a violência que atirou o país para o abismo.

O Haiti mergulhou numa crise humanitária, com gangues de criminosos armados a bloquear saídas de combustível do terminal petrolífero de Varreux, o mais importante do país, desde meados de setembro, paralisando a nação.

Nas Nações Unidas, estão a ser consideradas duas resoluções. Ambas são apoiadas pelos EUA e pelo Méxicomas alguns países têm reservas. 

Uma das resoluções contempla o estabelecimento de estrutura para impor sanções financeiras aos gangues e aos que lhes fornecem dinheiro e armas. A outra prevê o envio de uma força armada para ajudar a Polícia Nacional do Haiti a retomar o controlo de Varreux, juntamente com portos marítimos e estradas.

Em Nova Iorque, o ministro dos Negócios Estrangeiros do HaitiJean Victor Geneus, fez um apelo desesperado: "tenho a delicada missão de trazer ao Conselho de Segurança das Nações Unidas o pedido de socorro de todo o povo do Haiti, que está a sofrer, e de dizer, alto e bom som, que o povo do Haiti não está a viver. Está a sobreviver. Falo em nome de quatro milhões de crianças que também não podem ir à escola por causa da violência de gangues armados."

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o país vive uma situação de "absoluto pesadelo."

O clima sente-se nas ruas de todo o país - castigado pela inflação - que são palco de protestos constantes.

O bloqueio de combustível está a afetar os hospitais e fornecedores de água do Haiti, aos quais se soma um surto de cólera, que requer boa hidratação.

A doença está de volta ao Haiti após três anos de ausência. Já há mais de 60 casos confirmados, centenas de casos suspeitos e mais de 20 mortos, especialmente em Porto Príncipe, a capital, e arredores.