Entra hoje em vigor o limite de preço imposto ao petróleo russo

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De  Euronews
Petroleiro num porto
Petroleiro num porto   -   Direitos de autor  AFP

A aplicação do preço máximo para o petróleo russo acordado pela UE entra em vigor esta segunda-feira para o petróleo bruto e a 5 de fevereiro de 2023 para os produtos refinados.

Os Vinte Sete, juntamente com o G7 e a Austrália, concordaram em fixar o preço por barril num máximo de 60 dólares - 57 euros.

Esta medida não agradou à Ucrânia, que queria que o preço fosse limitado a 30 dólares, nem à Rússia, que ameaçou cortar completamente os fornecimentos.

Segundo o jornal Financial Times, Moscovo preparou uma frota de petroleiros comprados à Venezuela e ao Irão para vender os seus produtos fora dos países que aplicam estas sanções.

A ativação de um limite coincide com a entrada em vigor de um embargo da UE ao petróleo marítimo russo - vários meses após o embargo já imposto pelos EUA e Canadá.

A Rússia é o segundo maior exportador mundial de petróleo bruto e sem o limite seria fácil encontrar novos compradores a preços de mercado.

O mecanismo adotado prevê portanto que apenas o petróleo vendido a um preço igual ou inferior a 60 dólares por barril possa continuar a ser entregue, e que para além desse preço, as empresas sediadas na UE, países do G7 e Austrália serão proibidas de prestar os serviços que permitem o transporte marítimo (comércio, frete, seguros, armadores, etc.).

Os países do G7 prestam serviços de seguros para 90% das cargas mundiais e a UE é um ator importante no transporte marítimo de mercadorias - daí a sua capacidade de passar este limite à maioria dos clientes da Rússia em todo o mundo, um fator dissuasor credível.

Bruxelas acredita que, para além de prejudicar a economia russa, este teto vai contribuir para a estabilização dos preços e beneficiar as economias emergentes, mas há muitos analistas dos mercados petrolíferos que temem aquilo a que chamam um "salto no desconhecido".