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Houston, o porto seguro dos refugiados nos EUA

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De  Euronews
Houston, o porto seguro dos refugiados nos EUA

<p><strong>Viver numa cidade multicultural não é garantia de tolerância, mas esta tem-no sido, apesar de se situar num país onde ecoam as propostas mais radicais para gerir a crise da imigração: os Estados Unidos.</strong></p> <p>Estamos na cidade americana que <a href="http://fusion.net/story/280753/houston-texas-syrian-refugees/">mais refugiados acolhe</a>. A diversidade de Houston, no Texas, é bem conhecida. Facilmente se encontram pessoas das mais variadas proveniências. Algumas fugiram de cenários de conflito como o Afeganistão, o Iraque e a Síria, para beneficiar aqui de um <a href="http://www.reuters.com/article/us-mideast-crisis-usa-refugees-idUSKCN0XP2ZJ">programa de realojamento</a> e começar uma nova vida.</p> <p>Maher Jandari chegou há um ano com a mulher e os cinco filhos. Faz parte da comunidade de mais uma centena de sírios que se instalou em Houston. <em>“Deixei a Síria por causa de todas as dificuldades que vivíamos no dia a dia. A situação era muito má. Andavam todos a matarem-se, mas não se percebia quem matava quem. Eu também me vi um dia encostado contra um muro porque me queriam matar”</em>, conta-nos.</p> <script id="infogram_0_5674e088-d526-44de-87e0-832912b99d0f" title="insiders7totalrefugeesTEXAS" src="//e.infogr.am/js/embed.js?MSh" type="text/javascript"></script> <p>Nos últimos cinco anos, o Estado do Texas recebeu mais de 40 mil refugiados. Mas a política de acolhimento tem sofrido atribulações. Após os atentados de Paris em novembro, o governador estadual enviou uma carta ao presidente Obama afirmando que o Texas ia deixar de abrigar refugiados sírios. No entanto, um juiz federal <a href="http://time.com/4138560/texas-syrian-refugees-court-battle/">anulou essa medida</a>, recorrendo ao <a href="http://www.encyclopedia.com/doc/1G2-3401803554.html">Refugee Act de 1980</a>.</p> <p>Mas Donald Trump levou a retórica anti-imigração até um outro patamar, <a href="http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/donald-trump/12147515/After-tomorrow-Donald-Trump-could-be-unstoppable.html">tendo ficado célebre a frase</a>: <em>“Posso olhar nos olhos das crianças sírias e dizer-lhes que não podem vir.”</em></p> <p>Outra declaração controversa do magnata foi a seguinte: <em>“Nós estamos a financiar os programas de acolhimento de todos aqueles sírios que eles querem receber. Não fazemos a mínima ideia de quem eles são, de onde é que vêm exatamente. São jovens, são fortes, há muitos homens. Se olharmos bem para esta questão da migração percebemos que isto afinal pode ser um cavalo de Tróia.”</em></p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="en" dir="ltr">Poll: <a href="https://twitter.com/realDonaldTrump"><code>realDonaldTrump</a> narrows gap with <a href="https://twitter.com/HillaryClinton"></code>HillaryClinton</a> nationally in <a href="https://twitter.com/hashtag/USElection?src=hash">#USElection</a> <a href="https://t.co/xp0bgLXRNM">https://t.co/xp0bgLXRNM</a> <a href="https://t.co/TbS9bVnvJF">pic.twitter.com/TbS9bVnvJF</a></p>— Sputnik (@SputnikInt) <a href="https://twitter.com/SputnikInt/status/732629272536350720">17 mai 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Ali Al Sudani é um refugiado iraquiano. Chegou a Houston em 2009. Hoje em dia, é cidadão americano e tornou-se no diretor do Serviço de Refugiados local. A visão de Trump, considera, passa completamente ao lado da realidade. </p> <p><em>“Acho que esse tipo de argumentação é absurdo. Se um grupo terrorista quiser infiltrar-se no sistema, provavelmente não vai escolher esse longo caminho para entrar nos Estados Unidos ou em qualquer outro país. As pessoas podem candidatar-se, mas nada garante que sejam admitidas. Os refugiados são submetidos a controlos muito rigorosos, mais do que qualquer outra pessoa que queira entrar nos Estados Unidos”</em>, afirma.</p> <p>O programa de acolhimento prevê aulas de Inglês, alojamento para os refugiados, escolas para as crianças e apoio na procura de emprego.</p> <script id="infogram_0_142adac1-a85d-45fd-9861-5c9b427e3b07" title="insiders7totalrefugeesUS" src="//e.infogr.am/js/embed.js?OYu" type="text/javascript"></script> <p>O dono do Afghan Village, em Houston, chegou do Afeganistão há 17 anos. Antes de abrir este restaurante, Omer Yousafzai tirou o curso de Direito e trabalhou no Serviço de Refugiados. Omer diz que nunca se sentiu discriminado e que essa é uma falsa questão.</p> <p><em>“Sou muçulmano. Adoro este país. Já trabalhei para o governo e posso voltar a fazê-lo sempre que for preciso. Adoraria fazê-lo mesmo. Mas, começar a afastar os muçulmanos porque são uma ameaça? Se eu fosse uma ameaça, a senhora não estaria aqui a falar comigo. Eu alimento pessoas, eu forneço um serviço. Se quisesse, podia fazer mal às pessoas. Há centenas de milhares de muçulmanos nesta cidade. Só a comunidade paquistanesa tem mais de cem mil. Se fossem más pessoas, havia problemas a toda a hora”</em>, considera.</p> <p>Para Maher, Houston continua a ser <a href="http://www.nytimes.com/2015/12/26/us/thriving-in-texas-amid-appeals-to-reject-syrian-refugees.html?_r=0">um porto seguro</a>, apesar da controvérsia provocada pela tempestade política em torno da imigração. Ele prefere acreditar que a mensagem de que nenhum refugiado abandona o seu país por opção vai acabar por vingar.</p> <p>Nas suas palavras, <em>“há terroristas de todas as nacionalidades. Há uns que são a favor de um regime, outros que são contra esse regime. O mundo inteiro participou na destruição da Síria. Atualmente, basta haver um incidente nos Estados Unidos, uma explosão na Alemanha, para virem dizer que há um sírio por detrás. Mas é óbvio que não há. Os sírios tornaram-se nos bodes expiatórios do mundo.”</em></p>