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Como o avanço da AfD está a agitar a Alemanha

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De  Nuno Prudêncio
Como o avanço da AfD está a agitar a Alemanha

<p><strong>Quem são exatamente os apoiantes por detrás do controverso partido AfD, Alternativa para a Alemanha? A euronews foi conhecer alguns deles durante um encontro de rua organizado na parte leste de Berlim. Isto aconteceu antes de a AfD</strong> <a href="http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2016-09-19-Guinada-a--extrema--direita-na-Alemanha">entrar de forma fulgurante na Câmara de Deputados da capital alemã</a>, <strong>após umas eleições regionais que lhes deram mais de 14% dos votos.</strong> </p> <p><em>“Apoio a AfD porque que os partidos tradicionais não oferecem alternativas. O resgate do euro, o resgate da Grécia, a crise dos refugiados – não se propõe uma alternativa para estes cenários. Mas nós achamos que há outras possibilidades”</em>, declarava Stefan Kretschmer, membro do partido. </p> <p>Num país em <a href="http://www.dn.pt/mundo/interior/entre-csu-afd-e-ameaca-terrorista-merkel-a-procura-do-4o-mandato-5326413.html">rápida mutação</a>, a AfD <a href="http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-09-04-Extrema-direita-ultrapassa-CDU-de-Merkel-em-eleicoes-regionais-na-Alemanha">vê-se agora representada em 10 dos 16 parlamentos regionais</a>. Segundo Marianne Kleiner, também membro, <em>“a cidade de Berlim tem de voltar a ser transparente com os cidadãos. Há tantas prioridades que estão trocadas… Tanto a nível local, como a nível regional. Por exemplo, a forma como os refugiados estão a ser distribuídos, sobretudo na parte leste de Berlim, contra o compromisso que tinha sido assumido com os residentes”.</em></p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="en" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/Germany?src=hash">#Germany</a>: Beginning of the End of the <a href="https://twitter.com/hashtag/Merkel?src=hash">#Merkel</a> Era? <a href="https://t.co/Ma6DS1IJsV">https://t.co/Ma6DS1IJsV</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/AngelaMerkel?src=hash">#AngelaMerkel</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/AfD?src=hash">#AfD</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/FraukePetry?src=hash">#FraukePetry</a> <a href="https://t.co/eVhKVpY42D">pic.twitter.com/eVhKVpY42D</a></p>— Gatestone Institute (@GatestoneInst) <a href="https://twitter.com/GatestoneInst/status/774676979614412800">10 de setembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Outro participante, Herbert Mohr, assegurava o seguinte: <em>“Não diria que somos islamofóbicos. Somos críticos quanto ao Islão. Todos os muçulmanos que vivem na Alemanha estão completamente integrados. Mas nós consideramos que a religião islâmica não tem raízes na cultura alemã. Na Alemanha, subsistem os valores judaico-cristãos ocidentais e é assim que queremos continuar”.</em></p> <p>Nem todos concordam. Um grupo de manifestantes da extrema-esquerda veio salientar isso mesmo, gritando: “Tirem o nacionalismo da cabeça”. Seguiram-se alguns momentos de tensão que refletem o desconforto gerado entre alemães pelo avanço de uma formação considerada de extrema-direita. <em>“Vieram até aqui chamar-nos de nazis e racistas. É tudo mentira. Não somos. Mas eles acham que sim”</em>, dizia-nos Stefan Kretschmer.</p> <h3>“Na Alemanha, para demonizar alguém, basta colar-lhe o rótulo da direita”</h3> <p>A verdade é que a AfD está a conseguir chamar para si <a href="http://www.politico.eu/article/berlin-state-election-2016-alternative-for-germany-afd-cdu-spd-2017-election-angela-merkel/">muitos eleitores descontentes com os partidos do bloco central</a> que ocupam tradicionalmente o poder, aproveitando a vaga anti-imigração após a chegada massiva de refugiados.</p> <p><a href="http://www.lefigaro.fr/international/2016/09/05/01003-20160905ARTFIG00186-frauke-petry-le-visage-de-la-droite-radicale-allemande.php">Frauke Petry</a> assumiu a liderança do partido no ano passado. Tem 41 anos, quatro filhos e uma retórica que tem conquistado muito terreno. Mas, salienta, não dirige um partido de extrema-direita. <em>“Não. Nós próprios nos colocamos a questão: que tipo de partido somos? Olhemos para as pessoas que votam em nós, que se tornam membros do partido. Há vários conservadores e liberais. Recebemos apoios de todos os quadrantes do espetro político. Na Alemanha, para demonizar alguém, basta colar-lhe o rótulo da direita. Tentaram fazê-lo comigo, com o partido… Mas a questão é que as pessoas têm vontade de despertar e perceber o que se passa à volta”</em>, afirma Petry.</p> <p>A Alternativa para a Alemanha <a href="http://www.dw.com/pt/o-que-%C3%A9-e-como-surgiu-a-afd/a-19527366">nasceu em 2013</a>, em plena crise da dívida soberana na Europa. Mas foi em 2015 que o partido foi projetado para a ribalta política, através das posições contra a entrada de mais de um milhão de refugiados no país. </p> <p>Enquanto outros encerravam as fronteiras, Angela Merkel decidiu abrir as portas da Alemanha. <em>“Aquilo que estamos a viver agora vai mudar a face do nosso país nos próximos anos. Queremos que essa mudança seja positiva e vamos conseguir fazê-lo”</em>, declarava a chanceler, em setembro de 2015.</p> <h3>A arma política do medo</h3> <p>Christa Senberg é voluntária num centro de refugiados na área de Bradenburgo, onde muitos criticam o governo por, alegadamente, pretender gastar quase 100 mil milhões de euros nos próximos cinco anos em políticas de integração. <em>“A AfD está a usar os refugiados para convencer as pessoas em situação precária que tudo seria muito melhor se eles não tivessem vindo. Há muito que se alertava para a necessidade de mudanças no Estado social, porque corria-se o risco que alguém aparecesse para instrumentalizar os problemas que existem. E foi o que aconteceu. Mas veio a pessoa errada e conseguiu conquistar aqueles que não estavam satisfeitos”</em>, considera.</p> <p>O imã Mohamed Taha Sabri veio há 27 anos da Tunísia. Até agora, afirma, não havia problemas de integração em Berlim. Mas salienta que o discurso da AfD, que distancia inequivocamente o Islão da cultura alemã, pode gerar cada vez mais tensões. Organizou um encontro com vários partidos políticos para debater as incertezas crescentes. A AfD declinou. <em>“Recusaram no último minuto. Disseram-nos que a nossa mesquita não era um local neutro para dialogar e que estariam dispostos a fazê-lo noutro sítio”</em>, conta-nos.</p> <p>A crescente representação da AfD a nível regional poderá traduzir-se numa entrada no Bundestag nas eleições do ano que vem. Até que ponto a sua estratégia política assenta nos receios atuais e futuros da população? A líder do partido responde. </p> <p><em>“Antes de mais, olhemos para as forças motrizes da Humanidade. Que forças são essas? Uma delas é o medo. Fingir que os políticos vivem sem a questão do medo, sem perceberem em que contexto as pessoas vivem, não é propriamente honesto. Esse é um dos fatores. Por outro lado, há quem diga que nós instilamos o medo nas pessoas. Eu respondo: olhem para os problemas que existem, para a crise do euro, para a crise da migração. O que é que está por detrás de tudo isso? Quais são as causas dessas crises? Fomos nós que criámos o problema? Ou simplesmente demos início ao debate sobre esse problema? Ele vai deixar de existir se não falarmos nele? Não, não vai”</em>, garante Frauke Petry.</p>