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China: A esperança do setor automóvel

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China: A esperança do setor automóvel

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A indústria automóvel está reunida na China. O salão de Xangai abriu as portas ao público este domingo. Durante os nove dias do evento esperam-se mais de 800 mil visitantes.

No total, há 1300 modelos expostos, oriundos de 20 países. O salão tornou-se o símbolo da aposta dos construtores naquele que é o maior mercado automóvel do mundo. O mercado chinês tornou-se ainda mais vital, face à queda do europeu e a fragilidade do norte-americano.

A Associação Europeia de Construtores Automóveis (ACEA) prevê uma queda das vendas para menos de 12 milhões de veículos este ano na Europa. Nos Estados Unidos, deverão ser vendidos 15,5 milhões. Na China, as previsões apontam para a venda de 20 milhões.

No primeiro trimestre, as vendas na China subiram 7,7%. Os dados ficam aquém do previsto, mas o país é o “El dourado” para os fabricantes. Na Europa, no mesmo período, as vendas caíram mais de 9%.

O mercado chinês ainda é dominado pelos fabricantes internacionais, com a General Motors no topo da lista, mas a concorrência local seja cada vez mais forte.

Uns atrás dos outros e através de parcerias, os construtores lançam marcas ou modelos específicos para a China. É o caso do grupo francês Peugeot Citroën, que controla 3,5% do mercado chinês, e que vai construir dois modelos para o seu parceiro local, Dongfeng.

Para evocar os atuais desafios do setor, a euronews falou com Frédéric Banzet, presidente do construtor francês Citroën.

Antoine Juillard, euronews: Antes de falar da vossa presença no salão de Xangai e a situação do mercado chinês, abordemos a nova queda na Europa em março. As vendas da Peugeot-Citroën caíram 16%, em termos anuais. De que meios dispõem para inverter a queda interminável da procura?

Frédéric Banzet, CEO Citroën: O mercado automóvel europeu caiu 25% entre 2007 e 2012. São quatro milhões de veículos que não foram comprados na Europa e não há sinais que apontem para uma retoma. Por isso, antecipamos uma queda anual do mercado na ordem dos 5%. Mas é difícil ver sinais, incluindo na Alemanha, que deixem antever uma melhoria este ano ou no próximo.

euronews: Face aos dados negativos das vendas na Europa, em março, devemos esperar mais supressões de postos de trabalho no grupo Peugeot-Citroën, para lá das que já foram anunciadas?

F. Banzet: É evidente que a forte recessão do mercado europeu obriga-nos, infelizmente, a avançar com uma reestruturação na Europa. Foi uma decisão muito difícil de tomar e tentamos implementá-la da forma mais responsável possível do ponto de vista social. Comprometemo-nos a acompanhar todos os funcionários na procura de outro emprego. Visamos uma retoma daqui a dois anos, que deverá levar o grupo PSA de regresso à rentabilidade no final de 2014. A decisão de suprimir empregos é sempre difícil, mas, infelizmente, fomos obrigados pela situação do mercado.

euronews: As chaves do sucesso da Peugeot-Citroën são a internacionalização e a subida de gama?

F. Banzet: Sim, estou convencido de que a internacionalização e a subida de gama são as chaves do sucesso. Primeiro, porque nos torna menos dependentes da Europa e porque vai aumentar a nossa presença em mercados automóveis onde há ou haverá crescimento. Em segundo lugar, a subida de gama vai permitir melhorar o valor das duas marcas do grupo. No que me diz respeito, a Citroën progride em termos de notoriedade e imagem. Houve uma transformação completa da nossa linha C, cujo posicionamento vai evoluir para um estilo forte, mais atrativo e com veículos mais simpáticos e astuciosos, com uma utilização intuitiva. Há depois a DS com um posicionamento topo de gama, mas único, no qual somos credíveis já que somos franceses. A Citroën inspira-se do luxo à francesa e este é um posicionamento credível, que refletimos nos nossos veículos.