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Aulas sobre sexo acabam com tabu na China

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Aulas sobre sexo acabam com tabu na China

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Ma Li, uma professora certificada pela Associação Mundial de Professores de Sexo (WASC, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos, começa a vencer barreiras culturais na China.

O sexo é tradicionalmente um assunto tabu no país, mas as aulas de Ma Li estão esgotadas com semanas de antecedência. Nelas, pequenos grupos de mulheres chinesas podem aprender anatomia humana, psicologia e técnicas de intimidade.

A adesão tem sido significativa. As suas estudantes têm diversas idades e chegam de toda a China. É o caso de Sophie Hu, uma advogada de 30 anos que se inscreveu no curso de dois dias em Xangai. “Não tive qualquer educação sexual. Achava que os corpos dos homens adultos eram como os dos bebés. Quis conhecer-me melhor e compreender as realidades do sexo”, afirma. O curso custou-lhe 310€, mais de metade do salário médio da cidade. Mas, para a advogada, a abordagem de Li parece ter resultado: “Quando tiver sexo estarei mais relaxada. Não terei medo.”

A atitude conservadora da China nunca permitiu que a educação sexual fosse uma matéria valorizada pelas escolas do país. E o Partido Comunista, que se encontra no poder desde 1949, sempre reforçou esta posição.

A ignorância chega a ser extrema. Há dois anos, na cidade de Wuhan, dois chineses, ambos licenciados e casados há três anos, foram notícia por acharem que partilhar a mesma cama seria o suficiente para engravidar.

A exposição a diferentes culturas começa, no entanto, a mudar ligeiramente esta realidade. Jay Zheng, professor de obstetrícia e ginecologia na Universidade de Medicina de Kaohsiung, comenta a mudança de atitudes: “Em Pequim, Xangai e noutras grandes cidades, as mulheres são muito influenciadas pelas culturas ocidental, tailandesa e coreana, por isso têm atitudes mais modernas. Mas nas regiões rurais algumas mulheres não sabem nada.”