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UE de olhos postos no oriente

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UE de olhos postos no oriente

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A Ucrânia tem assistido, nos últimos dias a várias manifestações de protesto de milhares de europeístas que se sentem dececionados por o governo ter suspendido as negociações do acordo de associação com a União Europeia. Não aceitam o argumento de perdas para a economia do país pois o acordo abriria as portas do mercado europeu, tendo assim acesso a um mercado de 500 milhões de consumidores.

Este acordo de associação entre Kiev e Bruxelas seria o primeiro passo para uma futura adesão do país à União dos 28.

Com esta decisão por parte da Ucrânia, estará o alargamento, para leste, da União Europeia, parado?

Provavelmente não. A recente adesão da Croácia, o 28° estado-membro, 22 anos após a independência do país mostra que a União tenciona prosseguir com o alargamento para leste, apesar de estar a atravessar uma profunda crise identitária e financeira.

Em 2004 começou a expansão para oriente, com a adesão de uma dezena de novos Estados-membros. Este foi o maior alargamento desde a criação da União. Dois dos novos países são do sul, oito são antigas repúblicas soviéticas ou antigos membros do Pacto de Varsóvia.

Três anos depois mais dois antigos membros do bloco oriental entraram para a família europeia. A Croácia perfez o 28° estado-membro, em julho de 2013.

Quanto ao futuro, mais cinco países, do leste europeu, pediram para aderir à União.

Apenas 38 anos depois da criação, a UE contava com 15 membros, nove anos depois, tinham entrado mais 13.

Esta expansão a leste não é consensual e são várias as críticas. Numa altura em que a União Europeia enfrenta uma crise de identidade, os críticos consideram que o alargamento está a ser demasiado rápido e que a UE irá ser confrontada, no futuro, com o novo jogo de poder dentro da União.

Em exclusivo à euronews, o primeiro-ministro da Ucrânia, Mykola Azarov, fala sobre a decisão do executivo de suspender a assinatura do acordo com a UE.

euronews: Ficou surpreendido com a reação dos ucranianos que protestam contra a decisão do governo de não assinar o acordo de associação com a União Europeia?

Mykola Azarov: Claro que não estou surpreendido pois nos últimos 3 anos e meio, tanto o Presidente como o nosso governo promoveram, ativamente, na sociedade ucraniana essa ideia do acordo com a União Europeia. Foi o nosso governo que elaborou o acordo e estávamos, constantemente, a explicar à população a razão pela qual o estávamos a fazer. Por isso, é muito natural que quando fizemos o anúncio da suspensão, um grande número de pessoas foi para as ruas exigindo que o processo de integração europeia continue. Portanto, este envolvimento ativo da população demonstra, mais uma vez, que, no geral, as nossas políticas de integração na União Europeia estavam corretas.

euronews: Pode explicar-nos, por que é que o seu governo esperou até ao último minuto para tomar a decisão de não assinar o acordo?

MA: Respondo com o provérbio: “mais vale tarde do que nunca”. Tomámos a decisão quando se tornou claro que não teríamos ajuda nenhuma e que tinha chegado o momento de tomar decisões difíceis. Caso contrário sabemos o que teria acontecido às previsões das agências de notação, em relação à Ucrânia. Não vou referir-me mais a isso mas tentámos atrasar ao máximo a decisão pois estávamos à espera de encontrar uma solução e as compensações financeiras necessárias. Tomámos a decisão quando se tornou claro que essas compensações não existiam.

euronews: A Rússia ofereceu-se para reduzir o preço do gás à Ucrânia pois isso pode dar ao FMI a oportunidade de conceder a Kiev os empréstimos de que necessita, sem aumentar as tarifas do gás aos consumidores?

MA: Essa é uma pergunta difícil. Ao resolver esta questão, a Rússia está a perder biliões e nós ficamos a ganhar biliões de dólares. É uma pergunta difícil, pois o contrato está escrito de uma forma tão escravizante para nós e tão benéfica para a Rússia. Achamos difícil manter o texto legal do contrato, mas sempre fui otimista e disse aos nossos parceiros russos que este contrato dificulta as nossas relações económicas, e não só. Conduz a uma redução da compra de gás. Já temos quase metade das importações. Por isso este contrato é prejudicial tanto para eles como para nós e, por isso, tem de ser revisto.

euronews: Está a culpar o FMI mas como é que pensa que a União Europeia pode influenciar esta organização financeira mundial?

MA: O Fundo Monetário Internacional é uma organização financeira internacional, que é governada pelo Conselho de Administração que representa os líderes do “Velho Mundo”, com representantes de França, Alemanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Se eles tivessem tomado uma atitude coordenada, no seio do conselho de FMI, essa exigência economicamente irracional (de aumentar as tarifas de gás aos clientes domésticos, como pré-condição para obter o empréstimo do FMI, teria sido retirado da ordem de trabalhos.