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A China foi à Lua de mãos dadas com a Europa

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A China foi à Lua de mãos dadas com a Europa

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O homem sonha e o mundo avança. A China cumpriu um voto com muitos anos e é agora o terceiro país a conseguir entrar para o clube privado das superpotências espaciais. A sonda Chang’e -3 , que levou a bordo um veículo robotizado, deve o nome à Deusa da Lua (em chinês), divindade – segundo a lenda – que tinha um coelho como animal de estimação. Alunou com êxito no satélite da Terra , no sábado passado.

Ao alunar, um evento que já não ocorria há quase quatro décadas (desde 1976), a sonda chinesa libertou o “Coelho de Jade”, ou “Yu Tu” em mandarim. Este veículo de exploração, com seis rodas, está equipado para trabalhar em todo o terreno, e pode ser teleguiado a partir da Terra. Durante três meses, o “Coelho de Jade” vai explorar a região conhecida como “Baía do Arco-Íris”.

O extraordinário êxito deixou os chineses tão orgulhosos que o Comité Central do Partido Comunista Chinês, o Conselho de Estado e a Comissão Militar Central emitiram um comunicado conjunto para salientar o “extraordinário contributo” da missão para “o uso pacífico do espaço”.

O maior feito, até agora, tinha sido a alunagem, em 2008, do Shenzou VII e a saída de Zhai Zhigang do módulo, à chegada, agitando a bandeira chinesa e suscitando o orgulho patriótico.

O programa espacial chinês teve início em 1956 e, ao longo dos últimos 20 anos, consolidou o projeto de construir uma base orbital e de enviar uma missão tripulada à Lua por volta de 2020 e de missões não-tripuladas a Marte entre 2014 e 2033, seguida por uma descida de chineses no planeta entre 2040 e 2060.

O porta-voz da Administração Estatal para a Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa Nacional, Wu Zhijian, considerou a missão da Chang’e-3 “a mais complexa” jamais realizada pelo programa espacial chinês:

“Mais de 80% da tecnologia usada nesta missão é nova”.

A primeira mulher chinesa a ser enviada para o espaço, Liu Yang, viajou com os outros dois astronautas: Jing Haipeng e Liu Wang.

A acoplagem com o “Tiangong-1”, que se encontra na órbita da Terra desde setembro, é considerada um passo decisivo para a construção de uma estação espacial permanente.

O repórter da euronews, Jeremy Wilks, tem um convidado da ESA

Jeremy Wilks: Estou na companhia de Karl Bergquist, da Agência Espacial Europeia. Karl, na ESA você é responsável pelas relações com os chineses. Que tipo de ajuda é que a ESA lhes oferece?

Karl Bergquist:
Bom, nós temos com as autoridades espaciais chinesas, um acordo de mútuo de apoio. Por isso, estivemos envolvidos no projeto Chang’e-1, Chang’e-2, e agora também no Chang’e-3, fornecendo apoio através da nossa rede terrestre. Temos bases em Espanha, na Austrália e também na Guiana francesa e na América do Sul. Depois de a sonda ter pousado na Lua fizemos a triangulação entre a estação da Austrália e de Cebreros, em Espanha, para determinar exatamente onde se encontrava a sonda na superfície lunar.

J.W: Diga-me, como é que a missão tem corrido até agora? – Houve problemas de última hora?

K.B: Não, penso que tudo correu muito bem. Sei que logo que a sonda pousou na superfície lunar, havia equipas chinesas no nosso centro de controlo em Darmstadt , na Alemanha e até fizeram uma pequena festa para celebrar o facto de tudo ter corrido como planeado.

J.W: Porque é que os chineses se viraram para a Agência Espacial Europeia para pedir ajuda? Porque não a NASA ou a agência espacial russa?

K.B: Bem, em primeiro penso que o nosso centro de operações na Alemanha é um dos principais em operação e seguimento de satélites e, em segundo, nós temos relações há muito tempo com os chineses e penso que isso é uma das razões porque pediram ajuda e cooperação à ESA.

J.W: Falemos então da Lua. A última vez que alguém conseguiu pousar na Lua foi a União Soviética em 1976. Porquê voltar lá? Qual é o interesse da China?

K.B: Penso que a Lua é… há um forte simbolismo no facto de ir à Lua e tenho a certeza que há também um aspeto político. Pousar na Lua tem um impacto muito importante. O segundo objetivo é obviamente tecnológico: ser capaz de pousar na Lua, realizar este projeto, ter os instrumentos científicos para isso, é um grande sucesso científico. E o terceiro é a própria exploração científica da Lua.

J.W: Karl Bergquist, muito obrigado.

K.B: Obrigado.