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As dores de cabeça do Mundial

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As dores de cabeça do Mundial

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O Mundial de Futebol é a competição mais esperada, mas também muito contestada. Para muitos, é catastrófica. Há mais de um ano que os brasileiros protestam, nas ruas, contra a Copa.

Os protestos não vêm de agora e tiveram o auge durante a Taça das Confederações, no ano passado. O povo brasileiro exige escolas e hospitais com a qualidade dos estádios construídos para o Mundial.

A faísca que acendeu a fogueira foi o aumento no preço dos transportes públicos. As manifestações iniciais acabaram por transformar-se num protesto que varreu todo o país e arrastou milhões de pessoas contra a classe política, o que levou o governo de Dilma Rousseff a apresentar um pacote contra a corrupção.

O Campeonato do Mundo acabou por ser um dos alvos principais da ira dos populares. Recentemente, as greves voltaram a acender a tensão. O ambiente em volta do Mundial promete ser quente.

Não só os protestos estão a afetar este Mundial. Os atrasos nas obras estão também a causar polémica. Alguns estádios só ficaram prontos no último minuto. As condições de segurança duvidosas fizeram vítimas entre os trabalhadores.

A Arena Corinthians, em São Paulo, é um dos dos que mais preocupam os organizadores, não só por causa dos atrasos, como também por causa dos acidentes mortais durante a construção, que vieram manchar a preparação do Mundial.

O estádio já foi usado para um jogo Corinthians-Botafogo, mas sem uma das bancadas. A estrutura está ainda em fase de finalização.

Também as obras nas estruturas à volta dos novos estádios, como é o caso de certas estradas, estão atrasadas. Muitas delas não vão estar prontas a tempo, como acontece, por exemplo, em Cuiabá.

Em Manaus, o problema é com o aeroporto. Depois de uma paragem causada por uma aterragem de emergência, agora foram as cheias a causar problemas, com várias zonas do aeroporto inundadas. As obras da extensão do terminal de passageiros, que tem agora o dobro da capacidade, terminaram há pouco tempo.

Os jogadores preparam-se para chegar ao Brasil. Os hotéis estão prontos? Parece que sim, mas a Itália e a Inglaterra discordam.

O primeiro hotel onde se encontraram problemas foi o que vai acolher a seleção italiana, onde as autoridades sanitárias encontraram comida fora do prazo – ao todo, cinquenta quilos. O Hotel Portobello, perto do Rio de Janeiro, vai agora ter de se justificar.

Os responsáveis da Squadra Azzurra já desdramatizaram o acontecimento, já que a equipa leva a maior parte da alimentação. Tudo o que os jogadores comem é inspecionado antes de ser servido.

No hotel onde vai ficar a seleção inglesa, também foi encontrada comida fora do prazo.

O risco não é só para os jogadores. O grande número de turistas a visitar o Brasil aumenta também a probabilidade de infeções por vírus.

A saúde pública é uma das grandes dores de cabeça deste mundial, com a epidemia de dengue à cabeça das preocupações. Só em São Paulo, os casos desta doença, transmitida pelas picadas de mosquitos, triplicaram em relação ao mesmo período do ano passado.

O número de casos de dengue é o maior dos últimos cinco anos. O turismo relacionado com o Mundial não vem melhorar a situação e aumenta as probabilidades de infeção. O governo tem vindo a aumentar as medidas de prevenção e de combate à doença

O mundial gera muito dinheiro, já se sabe. Isto também no que toca aos negócios ilegais, como o tráfico de droga.

A América do Sul é o grande produtor mundial de cocaína. Fazer chegar a droga até ao Brasil não é difícil e por isso a polícia e os militares estão a aumentar o combate ao narcotráfico.

A última grande apreensão aconteceu esta sexta-feira, quando a polícia peruana encontrou mais de meia tonelada de cocaína, numa pista de aterragem na Amazónia, perto da fronteira com o Brasil.

A droga tinha como destino o Brasil, onde iria ser usada durante o Mundial. Se esta meia tonelada acabou nas mãos das autoridades, o mesmo não deve ter acontecido com grandes quantidades de droga que certamente já está no Brasil, pronta a ser consumida pela multidão que invade o país para ver o futebol.