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Revolução dos guarda-chuvas resiste em Hong Kong

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Revolução dos guarda-chuvas resiste em Hong Kong

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Dezenas de milhares de manifestantes continuam concentrados no centro financeiro e político de Hong Kong, região administrativa especial da República Popular da China.

O movimento de contestação exige que Pequim respeite os compromissos assumidos em relação à organização de eleições livres e democráticas em 2017, pois a China optou por impôr candidaturas de alegados “patriotas” selecionados por uma comissão de Pequim.

O alvo de todas as críticas dos manifestantes pela democracia é o chefe do executivo local, Leung Chun-ying, acusado de ser uma marioneta de Pequim.
O mundo está atento ao que se passa em Hong Kong, principalmente à reação chinesa a este desafio tão grande ou maior do que Tiananmen. O poder comunista não exclui nenhuma opção mas rejeita qualquer ingerência:
Hua Chunying, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros:
“Reiteramos que Hong Kong é uma das regiões administrativas especiais da China; os problemas de Hong Kong são problemas da China. Pedimos aos países interessados que mostrem prudência nas declarações e nos atos, que não interfiram na nossa política interna, não apoiem ou tolerem atividades ilegais como o movimento de ocupação do centro de Hong Kong e de não enviarem sinais negativos ao mundo exterior.

Mas Hong Kong é a terceira praça financeira do mundo, depois de Nova Iorque e Londres, e estão muitos interesses em jogo.
Pequim sobe o tom perante as ações deste movimento de protesto mas a revolução de guarda-chuvas resiste em Hong Kong.

A tensão em Hong Kong continua a aumentar e está a atingir um ponto crítico. Connosco, em duplex, temos o Professor Willy Lam, especialista da Universidade Chinesa em Hong Kong.

Nial O’Reilly, euronews – Professor Lam, Hong Kong não tinha vivido um impasse como este desde que a administração passou para a China. Qual é o ambiente aí? Que sentem os cidadãos comuns, agora que os manifestantes ameaçam ocupar edifícios públicos se o líder de Hong Kong, Leung Chun-Ying não se demitir?

Professor Willy Lam, Universidade Chinesa de Hong Kong – Os estudantes que se manifestam, assim como os organizadores devem ter recebido um enorme apoio da população. É extraordinário porque, tradicionalmente em Hong Kong, as pessoas apenas se importam com questões económicas e não políticas, mas desta vez concordam com o confronto entre os estudantes e o governo de Hong Kong e também de Pequim. Exigem mais autonomia para Hong Kong, que foi garantida pelos tratados internacionais quando Hong Kong passou para Pequim.

euronews – Muitos destes jovens não eram nascidos quando se deu a ocupação de Tiananmen, há 25 anos. O que os torna tão confiantes e determinados na vitória?

Lam – Hong Kong é diferente de Pequim há mais de 25 anos. Os olhos do mundo estão sobre Hong Kong e a polícia retirou-se das ruas por causa do crescente apoio público aos estudantes. Por isso, esperamos com ansiedade a decisão de Pequim, porque Pequim deve fazer concessões para evitar uma revolução em Hong Kong, os protestos ainda podem ser pacificados.

euronews – Será que eles chegam a um compromisso? Haverá algo que possam fazer para que a situação regresse à normalidade em Hong Kong?

Lam – É evidente, Pequim não quer mostrar que cede à pressão dos estudantes. O governo chinês é muito orgulhoso, nunca perde a face, mas parece que o preço mais baixo a pagar para resolver isto é permitir que o odiado governador de Hong Kong, Leung Chun-ying se demita e também fazer concessões quanto ao mecanismo eleitoral de 2017, para elecger o novo chefe executivo.

euronews – Quando o Reino Unido entregou o território aos chineses obteve garantias sobre os direitos e a democracia, mas muitos já receavam que as autoridades de Pequim, a longo prazo, não seriam capazes de honrar esses compromissos. Neste contexto, esta situação era inevitável?

Lam – Estes momentos demonstram-no, inevitavelmente, porque os tempos são diferentes. O ADN dos políticos de Hong Kong mudou da noite para o dia. as pessoas, agora, atrevem-se a arriscar o confronto, não apenas com a polícia mas com as administrações de Leung e de Pequim. Neste contexto, ou Pequim se prepara para usar a força ou os manifestantes não se vão calar até conseguir uma concessão consistente de Pequim.

euronews – Bem, vamos ver o que acontece. Professor Lam, em Hong Kong, agradecemos a sua náliseda situação.