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Hong Kong: Fundadores do movimento pró-democracia pedem fim da ocupação

Os três fundadores do movimento “Occupy Central”, que reclama por eleições livres em Hong Kong, apelaram esta terça-feira à retirada dos estudantes

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Hong Kong: Fundadores do movimento pró-democracia pedem fim da ocupação

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Os três fundadores do movimento “Occupy Central”, que reclama por eleições livres em Hong Kong, apelaram esta terça-feira à retirada dos estudantes acampados nas zonas ocupadas no centro daquela antiga colonia britânica, hoje território autónomo chinês.

O apelo ao fim da ocupação surge após os violentos confrontos registados da noite de domingo para a manhã de segunda-feira entre a polícia e centenas de manifestantes que forçaram os cordões de segurança, em Admiralty, e tentaram invadir edifícios governamentais. As autoridades investiram em força sobre os ativistas pró-democracia, naqueles que são já considerados os mais graves confrontos desde o início dos protestos a 28 de setembro.

O alegado receio pela segurança dos manifestantes esteve na base do apelo dos fundadores e da decisão do trio de se entregar às autoridades e enfrentar as consequências. Ao lado do reverendo Chu Yiu ming e do sociólogo Chan Kin-man, o professor de Direito Benny Tai foi o porta-voz: “Respeitamos a determinação dos estudantes e dos cidadãos, na luta pela democracia. Estamos furiosos pela indiferença do Governo. Um governo que recorre aos bastões da polícia para impor a autoridade é um governo que excedeu os limites da razão. Para bem da segurança, nós os três apelamos aos estudantes para que se retirem do acampamento.”

Benny Tai explicou ainda que o trio vai entregar-se quarta-feira às autoridades num compromisso com o estado de Direito e com o “princípio de paz e amor”. “Não sabemos o que vai acontecer depois de nos entregarmos – se vamos ser detidos ou colocados em liberdade -, mas estamos preparados para as consequências”, afirmou o porta-voz do trio fundador do “Occupy Central”, exortando ainda os manifestantes, após retirarem-se, “a recuperarem e a ganharem forças”, deixando entender que a luta pela democracia em Hong Kong não acaba aqui.

O professor da Universidade de Hong Kong sublinhou ainda que “a rendição não é um ato de cobardia”, mas sim “a coragem de agir”. “Render não é falhar, é a denúncia silenciosa de um governo sem coração”, atirou Benny Tai, enaltecendo a coragem dos manifestantes que ocupam as ruas há mais de dois meses e acusando a polícia de estar “fora de controlo”, por isso, defendeu, os manifestantes devem desocupar “estes locais perigosos.”

Benny Tai, Chan Kin-man e Chu Yiu-ming fundaram o movimento de desobediência civil “Occupy Central” no início de 2013 para pressionar reformas políticas, mas nas últimas semanas assumiram uma posição mais discreta à medida que os estudantes têm radicalizado as suas ações.

Os manifestantes pró-democracia contestam uma decisão de Pequim que limita o sufrágio universal naquele território autónomo. O Governo central chinês insiste que os candidatos a chefe do executivo no sufrágio de 2017 devem ser pré-selecionados por um comité, condição rejeitada pelos manifestantes.

O número de pessoas nas ruas diminuiu significativamente desde o final de setembro, mas os ativistas mantiveram dois locais de protesto: Admiralty, junto ao complexo governamental, e outro de menor dimensão no distrito comercial de Causeway Bay.