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Arménia: Protestos e detenções após massacre de família por soldado russo

O massacre na Arménia de uma família de seis pessoas, incluindo uma criança de dois anos, alegadamente por um soldado russo, na passada

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Arménia: Protestos e detenções após massacre de família por soldado russo

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O massacre na Arménia de uma família de seis pessoas, incluindo uma criança de dois anos, alegadamente por um soldado russo, na passada segunda-feira, está na base de ruidosos protestos que degeneram em confrontos com a polícia de Gyumri, a cidade arménia onde aconteceu este crime e que dista cerca de 120 quilómetros a norte da capital Yerevan.

Pelo menos 12 pessoas, incluindo polícias, terão ficado feridas na sequência dos confrontos. Os manifestantes terão sido alvejados com pedras os agentes de segurança, que responderam com granadas de fumo e detiveram alguns dos prevaricadores.

O motivo dos protestos é a detenção do suspeito do massacre, um soldado alegadamente desertor identificado como Valery Permyakov, mas fora da jurisdição arménia. O alegado homicida, que a polícia local garante que já ter confessado o crime, terá sido capturado junto à fronteira com a Turquia e estará sob detenção na base militar russa próxima da cidade arménia de Gyumri. Os manifestantes exigem que o suspeito seja entregue pelos russos às autoridades locais e julgado por um tribunal arménio.

As informações conhecidas provêm, por enquanto, de meios de comunicação arménios e russos, carecendo ainda de confirmações oficiais. A Reuters avança, entretanto, que o ministro da Defesa russo já teria reconhecido que um soldado havia desaparecido antes de acontecer o referido massacre.

Sergei Shoigu terá enviado condolências e prometido uma punição severa para o responsável. Sem confirmar a detenção do soldado, o ministro russo terá enviado para Gyumri um dos seus adjuntos para liderar uma equipa de investigadores.

Os violentos protestos desta quinta-feira aconteceram depois dos funerais, em Gyumri, dos seis membros da família assassinada, aos quais acorreram milhares de pessoas. Uma boa parte rumou depois ao consulado russo na cidade, mas a polícia local antimotim bloqueou-lhes o caminho, seguindo-se o confronto.

O Procurador-Geral arménio, Gevorg Kostanyan, dirigiu-se aos manifestantes e prometeu pedir ao homólogo russo “para entregar o caso à justiça e autoridades arménias quando, em resultado da investigação em curso, houver matéria suficiente para tal.”

Foi o terceiro dia de protestos, que se estenderam também ao centro da capital arménia, Yerevan, onde os manifestantes tentaram sem êxito queimar uma bandeira russa. Alguns acabaram, igualmente, detidos pelas autoridades.

O caso está a esfriar as relações diplomáticas entre a Rússia e a Arménia, uma das antigas repúblicas soviéticas que mantém relativa proximidade ao Kremlin e até acaba de entrar na União Aduaneira Euro-Asiática, de que a Rússia foi fundadora em 2010 com a Bielorrúsia e o Cazaquistão. O Kremlin é também um aliado de peso dos arménios na disputa territorial que mantém há décadas com o Azerbaijão.

O massacre aconteceu segunda-feira e atingiu os Avetisians, um casal idoso, que estava acompanhado da filha, do filho, da nora e de dois netos, um de dois anos e outro de seis meses. Todos foram baleados mortalmente, exceto o mais novo, que sobreviveu alegadamente com ferimentos de arma branca. O bebé foi operado e está a lutar pela vida em estado crítico.