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Grécia: Braço-de-ferro prosegue em Bruxelas com Atenas confiante na Europa

Delegação helénica retoma este sábado negociações com os credores internacionais. Desbloquear uma última tranche de 7,2 mil milhões de euros é essencial para evitar o incumprimento já a 30 de junho

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Grécia: Braço-de-ferro prosegue em Bruxelas com Atenas confiante na Europa

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A Grécia apresenta-se em Bruxelas com a firme convicção de que a Europa não deseja a saída grega do euro. Essa convicção foi reforçada já este sábado pelo ministro das Finanças, Yannis Varoufakis, em declarações à BBC.

Point of view

Sendo um dado certo de que ficar (no euro)significa uma catástrofe, talvez sair seja mesmo o melhor (para a Grécia)

“Eu não acredito que nenhum burocrata ou político europeu deseja seguir esse caminho”, afirmou Varoufakis ao programa Today, da Radio 4, da BBC, quando questionado se havia alguma possibilidade de assistirmos a um “Grexit”, expressão inglês que ilustra a hipotética saída grega da zona euro.


Uma outra questão colocada ao ministro sugeria um eventual “bluff” da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) por causa dos rumores de já estar a ser abordado um eventual plano B sem a Grécia na moeda única. Varoufakis reforçou: “Espero que estejam (a fazer ‘bluff’).”

O tempo contudo está a contar e, como alertam os jornais, é cada vez mais curto e com uma tempestade no horizonte. A Grécia tem de pagar até 30 de junho 1,6 mil milhões de euros ao FMI relativos ao último resgate internacional de que beneficiou. Se não o fizer, entra em incumprimento. A esperança dos gregos, contudo, é que o vento sopre a favor e que um acordo possa ser alcançado antes da próxima reunião do Eurogrupo, a 18 de junho.


Atenas têm ainda pendente a receção de uma última tranche do resgate, na ordem dos 7,2 mil milhões de euros, congelada ainda no passado e à espera de uma avaliação que não foi realizada devido ao país ter caído, na altura, numa crise política que levou a eleições antecipadas e à chegada ao Governo do Syriza, de Alexis Tsipras.

Para lá, do pagamento ao FMI, a Grécia tem ainda de contar também com os pagamentos devidos ao Banco Central Europeu (BCE) em julho e agosto, na ordem dos 6,7 mil milhões de euros. Tudo isto, para lá das despesas correntes do próprio país. Aceder à última tranche do resgate será, por isso, essencial e o objetivo de Atenas.

O responsável do BCE, Peter Praet, garantiu através de um jornal austríaco que “o Conselho de Administração do BCE quer que a Grécia continue a ser um membro da zona euro.”



“Nós vamos chegar a um acordo. O facto de uma delegação da Grécia viajou para Bruxelas é um bom sinal”, afirmou em Atenas, à Skai TV, o vice-ministro das Finanças, Dimitris Mardas.

Austeridade ou adeus ao euro, eis a questão

O fantasma de mais austeridade paira sobre os gregos. O Syriza foi eleito na premissa de que iria pôr um fim aos sacrifícios da classe média grega, cada vez mais uma classe “à rasca”, mas não está fácil a Alexis Tsipras cumprir a promessa. A continuidade no euro está em risco, perante um eventual incumprimento.


Os credores exigem reformas profundas, que envolvem mais austeridade. Atenas tem rejeitado e acenado com medidas que não encontram eco em Bruxelas. Este sábado, cerca de 24 horas após uma reunião de emergência na Mansão Maximos, a residência oficial do primeiro-ministro, o Governo helénico mandatou uma equipa de negociadores retomar as conversações com os credores munidos de uma contraproposta. O braço-de-ferro prossegue como novo “round.”

Nas ruas, os gregos dividem-se e já há quem admita o adeus ao euro. “Dizer que queremos continuar no euro mas ao mesmo tempo rejeitar novas medidas é absurdo. Temos de nos decidir. Ou fazemos o que eles nos dizem (em Bruxelas), aceitamos e implementamos as reformas que nos exigem. Ou negociamos e aceitamos o risco de talvez termos de deixar a zona euro. Sendo um dado certo de que ficar significa uma catástrofe, talvez sair seja mesmo o melhor”, considera Vicky Sachinidou, uma residente de Atenas de 52 anos.

Mais novo, Efthimis Efthimoulis, de 43, garante serem precisas, “em definitivo, grandes reformas nos setores público e privado”. “Precisamos de medidas para encorajar o crescimento. Tem de ser dado ao comércio a chance de voltar ao ativo”, alertou.