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Grécia: Campanha para referendo aprofunda fosso entre Atenas e Bruxelas

A campanha para o referendo de domingo, na Grécia, aumenta de tom, cada vez mais distante da questão original sobre o apoio ou recusa da proposta dos

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Grécia: Campanha para referendo aprofunda fosso entre Atenas e Bruxelas

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A campanha para o referendo de domingo, na Grécia, aumenta de tom, cada vez mais distante da questão original sobre o apoio ou recusa da proposta dos credores do país.

Se o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, ameaçou hoje demitir-se do cargo em caso de vitória do SIM, já os responsáveis europeus voltaram a sugerir que um NÃO no domingo poderia pôr em causa o futuro do país dentro da zona euro.

Depois de ter criticado o que considera uma “chantagem”, o primeiro-ministro Alexis Tsipras voltou a sugerir a possibilidade do país poder tentar obter ajuda fora da UE, depois dos recentes contratos assinados com a Rússia:

“A nossa orientação geopolítica de apoio à UE é indesmentível. No entanto, podemos explorar certas alternativas numa diplomacia internacional multidimensional para reforçar a dinâmica da nossa política atual”.

As últimas sondagens sobre a consulta popular apontam para uma divisão entre os partidários e opositores ao acordo com a Troika, quando o apoio ao NÃO está em queda desde o encerramento dos bancos na sexta-feira.

Um braço de ferro similar àquele travado entre Atenas e Bruxelas. O ministério das Finanças grego garantiu hoje que o controlo de capitais só será levantado após a retoma das negociações.

Para o presidente do eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que decidiu suspender as discussões até serem conhecidos os resultados do referendo, a vitória do NÃO significaria o fim da Grécia na zona euro.

“Se as pessoas disserem que NÃO então vai ser difícil encontrar uma base para um novo programa de resgate e a questão a colocar então seria se existe alguma base para que a Grécia permaneça na zona euro”.

Em paralelo, a Comissão Europeia negou hoje estar a fazer campanha pelo SIM, apesar das palavras de Jean Claude Juncker, na semana passada, sobre a necessidade de apoiar a proposta dos credores e o futuro do país na União.

Resta saber, como sublinham alguns analistas, se a vitória do SIM poderia dever-se tanto ao apoio dos gregos à UE como ao receio dos clientes bancários de não recuperarem em breve as suas poupanças.