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Migrante ilegal encontrado morto na parte francesa do túnel da Mancha

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Migrante ilegal encontrado morto na parte francesa do túnel da Mancha

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Um homem foi encontrado morto esta quarta-feira de manhã no Eurotúnel, perto de Calais, em França. Originária do Sudão, a vítima faria parte do grupo de cerca de 1500 migrantes que forçou durante a madrugada a travessia da passagem ferroviária do Canal da Mancha e terá sido atropelado por um camião.

“A nossa equipa encontrou um corpo hoje (quarta-feira) de manhã e os bombeiros confirmaram a morte dessa pessoa”, afirmou o porta-voz da empresa que gere o túnel da Mancha. O homem teria “entre 25 e 30 anos” e, de acordo com fonte policial, terá sido atropelado por um camião que saía dos “shuttles” que fazem o transporte de veículos através do túnel da Mancha.



França e Reino Unido estão a discutir a crise da migração ilegal no Canal da Mancha. O ministro francês do interior quer a empresa que gere o Eurotúnel também envolvida na busca de soluções. “O grupo Eurotúnel também tem de assumir as suas responsabilidades. Em especial, no que toca à segurança dentro do seu próprio espaço. Digo isto no espírito da responsabilidade, sem qualquer ponta de controvérsia, porque o problema é demasiado sério para não ser enfrentado desta forma”, afirmou Bernard Cazeneuve.

O ministro francês já tinha enviado há cerca de uma semana uma carta ao patrão da Eurotúnel acusando a empresa de nada fazer para assegurar a segurança do túnel face ao agravar da situação. Cazeneuve criticou o facto de a empresa ter reduzido de 325 em 2002 para 103 o número de funcionários da segurança no espaço sob responsabilidade da Eurotúnel. A empresa alegou ter, por outro lado, duplicado as equipas de segurança para quase 200 elementos desde o início da crise de migração e investido mais de 160 milhões de euros neste setor em particular.



Do lado britânico, o primeiro-ministro David Cameron descreve as travessias clandestinas do Eurotúnel como algo “muito preocupante”. O Governo terá acordado um financiamento extra de quase 10 milhões de euros para ajudar a melhorar a segurança do túnel da Mancha junto do terminal ferroviário de Coquelles, em França.

A coordenação da situação com Paris está a ser conduzida desde Londres pela ministra do Interior, Theresa May. “Estamos a trabalhar com afinco junto das autoridades francesas e com o Eurotúnel para assegurar o reforço da segurança junto à ferrovia de Coquelles. Por isso, não se veem pessoas a atravessar o túnel. O que todos queremos é ver o túnel do canal a operar a 100 por cento e o porto de Calais também sem problemas para que os utentes possam fazer as suas viagens sem este tipo de perturbações”, afirmou a ministra britânica do Interior.



Depois de na madrugada de terça-feira cerca de 2000 pessoas terem tentado forçar a travessia do Canal da Mancha, desta feita foram cerca de 1500. Algumas delas certamente repetentes. Desde o início de junho, já terão morrido nove pessoas nestas tentativas.

Já depois da última morte registada, um homem terá sido eletrocutado quando tentava saltar para uma composição do Eurostar, o comboio de passageiros que faz a travessia do túnel da Mancha, e ficou em estado grave. Reforçar as cercas que protegem o túnel da Mancha é uma das opções em estudo.

Do lado britânico, as autoridades recorreram mais uma vez à chamada “operação de empilhamento” (“Operation Stack”), criando longas filas de camiões ao longo da autoestrada M20, em Kent, à espera de acesso ao túnel para o atravessarem para a França.