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Terrorismo: Turquia a ferro e fogo

O atentado desta quarta-feira atingiu a capital, novamente, e atingiu sobretudo símbolos do poder - como os militares mortos no ataque. Mas não será provavelmente o último, a avaliar pela análise de A

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Terrorismo: Turquia a ferro e fogo

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A Turquia é, cada vez mais, alvo de ataques terroristas – que são perpetrados cada vez mais próximo dos centros decisórios e turísticos do país.

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"A mensagem que os terroristas querem fazer passar é 'enquanto organização terrorista podemos atingir a Turquia, temos a capacidades de atingir o coração da Turquia' - Atilla Sandıklı, especialista de Relações Internacionais na Universidade Haliç"

Em outubro último, Ancara já fora alvo de ataques à bomba, que fizeram mais de 100 mortos, perto da principal estação de caminhos-de-ferro.

Três meses depois, no início do ano, foi a cosmopolita e turística Istambul a ser alvo de um bombista-suicida, que matou mais de uma dezena de pessoas – sobretudo, turistas alemães.

O atentado desta quarta-feira atingiu a capital, novamente, e atingiu sobretudo símbolos do poder – como os militares mortos no ataque.

Pelo modo operatório, não parece ter sido perpetrado pelo autoproclamado Estado Islâmico. Pelo menos, o governo de Ancara está convencido que se trata de obra de milícias curdas.

Quem quer que seja o autor, este atentado não será provavelmente o último, a avaliar pela análise de Atilla Sandıklı, especialista de Relações Internacionais na Universidade Haliç.

Euronews: Como devemos interpretar o atentado de quarta-feira em Ancara, no centro da capital, perto do quartel-general do exército?

Atilla Sandıklı: Quando olhamos para o atentado vemos que se deu no coração da Turquia, onde estão localizados o Parlamento, o Estado-Maior-General das Forças Armadas. Muito próximo encontram-se os edifícios presidenciais.

Este ataque atingiu o coração da Turquia, Ancara, a capital turca.

A mensagem que os terroristas querem fazer passar é “enquanto organização terrorista podemos atingir a Turquia, temos a capacidades de atingir o coração da Turquia”.

Mas esta não é apenas uma mensagem de organizações terroristas, é também dos países que apoiam estes grupos.

Euronews: Depois deste ataque, acredita que a Turquia vá parar as operações militares na Síria?

Atilla Sandıklı: Não, pelo contrário. A Turquia lançou um ataque aéreo contra um grupo de 60 ou 70 membros do PKK, (Partido dos Trabalhados do Curdistão), em Haftanin, no norte do Iraque, porque acredita serem os responsáveis pelo atentado.

Mas não acredito que a Turquia consiga conduzir uma operação de larga escala sozinha. A Turquia vai levantar essa questão e alegar que o Partido da União Democrática (PYD) é uma organização terrorista ! tal como o PKK ou o autoproclamado Estado Islâmico. E este ataque é a prova.

O Ocidente considera o PYD como uma força moderada no terreno, na Síria.

A Turquia pode aumentar os meios para uma operação no terreno ou apoiar a iniciativa da Arábia Saudita e do Qatar para uma operação terrestre contra o autoproclamado Estado Islâmico.

A Turquia vai insistir nisto. Os Estados Unidos dizem que estão a cooperar com o PYD devido à falta de alternativas na Síria. A Turquia pode fornecer alternativas, apesar de já ser tarde. Mas acredito que a Turquia vai trabalhar nisso.