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Turquia: Detenções e julgamentos na "limpeza" de Erdogan

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Turquia: Detenções e julgamentos na "limpeza" de Erdogan

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Na Turquia, a tensão continua depois da tentativa de golpe de Estado na passada sexta feira.

Esta manhã, frente a um tribunal em Ancara onde eram interrogados 27 militares de topo de hierarquia, -entre eles o ex-comandante da Força Aérea turca e membro do Supremo Conselho Militar turco, General Akin Oztürk, suspeito de ser um dos líderes do golpe – um militar abriu fogo e foi abatido pela polícia no local.

A “limpeza” de Erdogan

As forças de segurança turcas continuam a fazer raides a instalações militares em busca de conspiradores. A Academia da Força Aérea turca, em Istambul, foi um dos alvos, com o resultado de 4 oficiais de alta patente detidos.

Três dias depois do golpe, perto de 9000 funcionários do ministério do Interior foram destituídos, segundo o próprio ministério, entre militares, magistrados e polícias e mais de 7500 pessoas foram detidas.

O primeiro ministro turco, Binali Yildirim, declarou na segunda-feira que um eventual reestabelecimento da pena de morte, abolida em 2004, como premissa da entrada da Turquia para a União Europeia, para os envolvidos no golpe falhado necessitava de discussão no parlamento.

No domingo passado, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan anunciou uma “limpeza” do sistema político, administrativo, militar e judicial, referindo-se ao “vírus” espalhado por Fethullah Gülen, um clérigo turco auto-exilado nos Estados Unidos desde 1999 e a quem acusa de ser o instigador do golpe falhado.

Reação internacional

John Kerry, secretário de Estado norte americano, respondeu ao pedido de extradição dos Estados Unidos de Fethullah Gülen por parte do presidente turco com a necessidade de “provas e não de alegações”. Gullen desmente a sua implicação: “O panorama geral desta situação está a dar sinais claros de um golpe de Estado encenado ou falso. Antes de mais, os líderes políticos importantes que seria suposto estarem a ser detidos, não foram tocados. Não foram perseguidos. Edifícios vazios foram bombardeados, pessoas atiraram em civis inocentes, tanques foram posicionados e não fizeram nada. Quando se olha para este panorama, isto não é a cena de um golpe autêntico.”

Federica Mogherini, alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política Securitária, declarou que a introdução de pena de morte é o afastamento inequívoco de uma entrada na UE.
De Barack Obama, que pediu aos militares “respeito pelo Estado de Direito”, ao ministro dos negócios estrangeiros francês, Jean-Marc Ayrault, que disse em entrevista ao canal público de televisão francês France 3 que “um golpe de Estado não era um cheque em branco passado a Erdoğan” as reações da comunidade internacional são no sentido de não legitimar da parte de Erdoğan qualquer afastamento da democracia, sob o pretexto do golpe falhado e apelar à manutenção de um Estado de Direito alinhado com os princípios e valores democráticos.

A população na rua: ainda não acabou

O presidente Erdoğan apelou ao povo que continue a garantir que o golpe falhou, intervindo na rua e manifestando-se contra qualquer levantamento, defendendo o país e o presidente.
Erdoğan tem sofrido fortes críticas vindas de alguns setores turcos sobre aquilo que é tido como tendências autoritárias e repressões violentas, nomeadamente a que foi exercida pela polícia em 2013, quando populares sairam em massa às ruas pedindo mais liberdade.
Por outro lado, o desenvolvimento económico que a Turquia tem conhecido sob o desígnio de Erdoğan garante-lhe um forte apoio popular.

A Turquia e os golpes

De acordo com um relatório publicado este domingo no jornal turco Cumhuriyet, cerca de 300 golpistas terão tomado conhecimento de que o governo de Erdoğan estava prestes a emitir mandados de detenção destinados a apoiantes de Gulen. Terá sido esse dado a antecipar o golpe para sexta feira à noite, quando Erdogan se encontrava de férias. O relatório explica assim o desenrolar rápido dos acontecimentos de sexta, apesar de o planeamento estar a ser ponderado há mais tempo.

Em 1960, deu-se o primeiro golpe de Estado na Turquia depois da sua formação enquanto República, em 1923. O autocrático primeiro ministro, Adnan Menderes, entre outros, foi preso e julgado por traição e outros crimes. Menderes foi enforcado.

O cenário repete-se em março de 1971, com um grande desaceleramento económico a conduzir a agitação no território turco e com a intervenção dos militares que entregaram um memorando para ler na rádio dizendo ao povo turco que, devido à anarquia, fratricídio e agitação social e económica em que o governo tinha mergulhado o país, era dever dos militares proteger a república e tomar o poder. Ficou conhecido como o golpe do memorando.

Em 1980, o cenário repete-se. A Turquia vê o seu terceiro golpe de Estado no espaço de 30 anos.

Do golpe de Estado falhado esta sexta feira, registam-se até agora pelo menos 308 mortos e cerca de 1500 feridos.

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