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Poderá Guterres reformar as Nações Unidas?

Com Sophie Desjardin, João Peseiro Monteiro e Reuters

A Organização das Nações Unidas cumpre este ano 71 anos de existência.

Uma existência carregada de críticias por parte da Comunidade Internacional, a mesma Comunidade Internacional responsável pela sua eficácia e pelo resultado das suas ações.

Os mais críticos dizem que a velha máquina onusiana precisa de uma reforma urgente e muito profunda, de forma a ser mais democrática e mais representativa dos países do mundo.

Ora, a ONU acaba de eleger um novo Secretário-geral, o português António Guterres, que conta com 10 anos de experiência no terreno, enquanto Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Guterres deverá assumir o cargo de Secretário-geral em janeiro próximo, na sede das Nações Unidas, na cidade de Nova Iorque. No entanto, muitos se perguntam se é ele a pessoa indicada para a dura e incumprida tarefa de reformar a ONU.


Espera-se de Guterres um papel mais ativo a respeito dos grandes conflitos internacionais. Uma figura mais próxima de Koffi Annan, que ocupou o cargo entre 1997 e 2007 do que do atual Secretário-geral, o sul-coreano Ban Ki-Moon, tido como demasiado ineficaz e pouco determinado. Ban Ki-Moon foi alvo de duras críticas, por exemplo, a respeito da forma como acompanhou o conflito na Síria.

Os bloqueios entre os membros permanentes do chamado Conselho de Segurança e os conflitos de interesses na busca pela paz e o cessar de hostilidades não são novidade na História dos 70 anos da ONU. A atividade onusiana e o seu real impacto nos problemas do mundo já tinham sido postos à prova durante os conflitos do Ruanda e da Bósnia e Herzegovina, nos anos 90.

Há onze anos, um carismático Kofi Annan deixava o cargo de Secretário-geral e lançava um apelo no sentido de uma democratização do Conselho de Segurança da ONU:

“Peço aos Estados membros que façam do Conselho de Segurança um órgão mais representativo da Comunidade Internacional. Sugiro que o Conselho de Segurança renovado decida, numa clara declaração, os princípios a serem seguidos caso deva ser utilizada a força.”

Mas, anos mais tarde, depois das chamadas primaveras árabes e durante um sangrento conflito no Médio Oriente, o mesmo Conselho de Segurança, volta a falhar. Perante a complexidade do conflito na Síria, perante a oposição de interesses das grandes potências e atores regionais, o Conselho de Segurança desmorona-se e, com ele, qualquer possibilidade de chegar a uma paz efetiva.


Atualmente com cinco membros permanentes, o Conselho de Segurança é alvo de muitas propostas de reforma. Há quem sugira, por exemplo, mais membros permanentes, incluidos Estados Africanos, assim como uma reformulação do poder de veto.

O veto constitui, atualmente, o principal entrave à ação do Conselho, já que qualquer um dos cinco membros pode por um travão às iniciativas de terceiros.

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