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Americanos mataram nas urnas o sonho de Hillary Clinton


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Americanos mataram nas urnas o sonho de Hillary Clinton

Hillary Clinton tentou, por duas vezes, escrever a História nos Estados Unidos. Desta vez, a convenção democrata em Filadélfia abriu-lhe a porta que lhe permitiu sonhar com o regresso à Casa Branca, agora, no papel principal.

“Aceito a nomeação para candidata a presidente dos Estados Unidos”, foi com estas palavras que a verdadeira caminhada começou.

Hillary é sinónimo de perserverança, resistência e uma vontade de ferro de alguém que passou uma boa parte da vida a preparar-se para este momento..

Barack Obama nã lhe poupou elogios.
“Nunca houve homem ou mulher – nem eu nem o Bill – ninguém mais qualificado do que Hillary Clinton para as funções de presidente dos Estados Unidos da América”,

A ex-primeira dama sabia bem no que se metia quando em 2015 afirmou: “Sou candidata à presidência dos Estados Unidos”!

Partiu para a corrida com as vantagens de quem já passou pelo poder – Senadora de Nova Iorque, Secretária de Estado de Obama – e com as desvantagens de quem cometeu erros no seu exercício. Para o melhor e para o pior, o passado ressurge durante a campanha e ela vai ripostando:

“Agora imaginem o Donald Trump sentado no gabinete de crise a tomar decisões de vida ou de morte a favor dos Estados Unidos”.

A morte dos quatro diplomatas americanos no ataque ao consulado dos Estados Unidos, em Benghazi, na Líbia, em 2012 é uma mancha que a persegue, assim como o caso dos emails, uma arma empunhada frequentemente pelo seu adversário.

“Cometi um erro usando um email privado…”, admite num debate – “Isso, sem dúvida”, interrompe Donald Trump.
Clinton prossegue: “…se tivesse que fazer tudo de novo, faria de forma diferente… Mas não vou pedir desculpa… foi um erro e assumo a responsabilidade.”

Apoiada pelas mulheres, a candidata democrata conseguiu galvanizar cada vez mais esta parte importante do eleitorado, surgindo como a grande defensora dos direitos das mulheres.

“O senhor Trump acusa-me de jogar com o facto de ser mulher. Ora, se lutar pela saúde das mulheres, pelas licenças familiares pagas e por salários iguais é jogar com o facto de ser mulher, então, é isso que faço”.

Nos três debates em que enfrentou Donald Trump, Hillary Clinton não cometou erros e resistiu sempre às provocações do adversário. Mas a 28 de outubro, a apenas 11 dias da eleição, o caso dos emails volta à ribalta, na sequência de uma carta enviada pelo diretor do FBI ao Congresso. Clinton reage pedindo todos os factos imediatamente. Ao mesmo tempo, o Wikileaks, de Julian Assange, disponibiliza documentos que lançam suspeitas sobre a campanha democrática.

Hillary levanta imediatamente na campanha a questão do momento escolhido pelo FBI:
“É muito estranho, é muito estranho fazer sair isto, com tão pouca informação, proximo da eleição (…) claro que Donald Trump já está a contar mentiras sobre isto, está a fazer o seu melhor para confundir e desencorajar o povo americano”.

E, uma vez mais apoiada pelo eleitorado feminino, retoma a batalha eleitoral:
“A minha mãe ensinou-me a nunca desistir (…) eu tenho lutado pelas famílias e pelos oprimidos a minha vida inteira e não vou parar agora. Estamos apenas a começar.”.

Mas, uma vez mais, para esta mulher de armas, o sonho terminou à porta da História.