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Moscovo rejeita acusações da Turquia no assassinato de embaixador Karlov

Ancara aponta o dedo a conhecido opositor do Presidente Erdogan, atualmente exilado nos Estados Unidos, mas a Rússia entende ser muito cedo para tirar conclusões da investigação.

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Moscovo rejeita acusações da Turquia no assassinato de embaixador Karlov

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A Rússia declarou esta quarta-feira ser ainda muito cedo para se concluir quem está por trás do assassinato na capital da Turquia do embaixador russo Andrei Karlov.

O crime ocorreu segunda-feira à noite, em Ancara, e foi cometido por um jovem polícia turco, de 22 anos, conhecido por ter feito pelo menos em oito ocasiões parte da segurança privada do Presidente Recep Tayyp Erdogan.

A contenção do Kremlin surge depois de o Governo turco ter responsabilizado pelo crime a FETÖ, uma suposta organização terrorista alegadamente liderada por Fethullah Gülen, o líder religioso turco exilado nos Estados Unidos e conhecido opositor do Presidente Erdogan.

O assassinato está a ser investigado pelas autoridades russas, mas agora também com a participação de 18 especialistas enviados pelo Kremlin após acordo alcançado ao telefone entre ambos os presidentes, Vladimir Putin e Recep Tayyp Erdogan.

Numa reunião realizada, terça-feira, em Moscovo entre responsáveis diplomáticos da Rússia, do Irão e da Turquia para debater o conflito sírio, os líderes diplomáticos russo e turco manifestaram a intenção de evitar que o assassinato do embaixador russo prejudique os esforços de reaproximação que têm vindo a ser feitos entre ambos os países.

À margem da reunião, Sergei Lavrov e Mevlüt Cavusoglu depositaram flores diante de uma fotografia do embaixador exposta bem à vista no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Moscovo. Andrei Karlov foi ainda alvo de um minuto de silêncio na Duma, o parlamento russo.

(Erdogan: “Ao Presidente da Rússia, na pessoa do senhor Putin, aos nossos amigos russos e à família do senhor Karlov expresso a minha tristeza e envio as minhas condolências.)

Por fim, Vladimir Putin decretou a distinção a título póstumo de Andrei Karlov com “o grau de Herói da Rússia, pela tenacidade e coragem mostradas durante o mandato como embaixador da Rússia na República da Turquia e pelo seu grande contributo para a implementação da política externa russa”, lê-se no decreto, citado pela agência Tass.

O Presidente russo confirmou ainda a presença, esta quinta-feira de manhã, na cerimónia fúnebre civil de Karlov, cuja cerimónia religiosa está marcada para a parte da tarde na Catedral do Cristo Redentor, onde a missa será liderada pelo Patriarca Cirilo, líder da igreja ortodoxa de Moscovo e de toda a Rússia.

Foi também noticiado pela agência russa Interfax que também os sinos da catedral russa da Trindade Cheia de Vida, em Pyongyang, capital da Coreia do Norte.

Andrei Karlov foi o embaixador russo colocado na capital norte-coreana entre 2001 e 2006, período no qual ajudou à construção da referida catedral e na qual se viria casar há 10 anos numa cerimónia matrimonial liderada pelo Patriarca Cirilo, na altura chefe do Departamento Sinodal para as Relações Externas da Igreja ortodoxa russa.