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Presidenciais do Equador: Entre a continuidade e a revolução de direita


República do Equador

Presidenciais do Equador: Entre a continuidade e a revolução de direita

O Equador é chamado este domingo às urnas para eleger um novo Presidente. Dos oito candidatos na corrida, há dois em destaque nas sondagens.

Guillermo Lasso, oriundo da oposição de direita; e Lenin Moreno, o candidato da continuidade de esquerda.

A linha seguida por Rafael Correa, o Presidente cessante, combina despesas sociais com impostos e um endividamento elevado.

Antigo vice-presidente de Correa, Moreno, de 63 anos, é o favorito e até pode vencer as presidenciais logo à primeira volta. Para isso terá de recolher mais de 50 por cento dos votos ou passar da fasquia dos 40 com uma vantagem de 10 por cento sobre o segundo.

Lenin Moreno, 63

Candidato escolhido pelo Alianza País, o partido no governo. Foi vice-presidnete de Rafael Correa e movimenta-se de cadeira de rodas por ter ficado paraplégico após ter sido alvejado nas costas com um tiro durante um assalto. É descrito como mais amável e dialogante que o atual Presidente. É casado e tem três filhas.

Lenin Moreno está confiante de que “a missão” de Correa, a chamada “Revolução Cidadã”, “vai continuar”. É uma missão “para as pessoas com deficiência”, como ele, “mas também para os idosos, para as mulheres abandonadas, para os trabalhadores domésticos, para as crianças, para os jovens e para as mulheres vítimas de maus tratos”, tem vindo a prometer o ex-vicepresidente.

Oriundo da direita, Guillermo Lasso, de 61 anos, é um antigo banqueiro que no final dos anos 90 foi ministro da economia e energia no executivo de Jamil Mahuad.

Guillermo Lasso, 61

Já havia sido candidato em 2013 e perdeu para Rafael Correa, não passando dos 22,7 por cento no escrutínio. Membro da “Opus Dei”, é descrito como liberal na economia e conservador no plano social. Fundou o Banco de Bairro, um projeto reconhecido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento como um dos maiores planos nacários da América Latina. É casado e tem cinco filhos.

Lasso garante ser possível reduzir a despesa pública em cinco mil milhões de dólares e, para isso, promete “eliminar 14 impostos no Equador”. “O povo equatoriano está pelos cabelos com tantos impostos e tanto abuso. Está, sobretudo, farto do mais maligno de todos os impostos: a corrupção ‘correalista’”, defende o antigo banqueiro.

O legado de Rafael Correa

Presidente do Equador desde janeiro de 2007, Rafael Correa sai de cena por não se poder recandidatar, de acordo com a revisão de 2008 da constituição equatoriana, e deixa ao sucessor um país que ajudou a crescer, mas com um recente declínio económico.

Há vários indicadores a favor da gestão de Rafael Correa, nomeadamente, a redução em dez anos da taxa de pobreza no país dos 36,74 por cento para os 25,35 por cento da população e ainda o aumento substancial do Produto Interno Bruto (PIB) do Equador, no mesmo período, de 48 mil milhões para 94 mil milhões de euros.

Por outro lado, embora a taxa de desemprego se mantenha em torno dos cinco por cento, uma das mais baixas da América Latina, há quem denuncie haver cerca de um quarto da população sem trabalho, mas sem contar por não constarem nos registos públicos.

Durante o ano passado, o PIB baixou 1,7 por cento, a despesa pública atingiu os 23 mil milhões de euros e as receitas chegaram aos 15,5 mil milhões de euros.

Em defesa das políticas assumidas, Rafael Correa definiu como “uma tempestade perfeita” a combinação de fatores externos que têm vindo a afetar a economia do Equador, indexada ao dólar desde 2000.

Entre fatores referidos está o devastador terramoto de abril do ano passado, causador de três mil milhões de dólares em danos, o que terá obrigado o Equador a aumentar a dívida pública para cerca de 40 por cento do PIB.

É esta a herança que está em jogo nas presidenciais deste domingo.

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