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"Floresta das Almas Perdidas": Terror português no Fantasporto

Se os silêncios e a paisagem são elementos presentes até ao fim do filme, já a ação evolui, a partir de uma certa altura, para o que o próprio realizador, José Pedro Lopes, chama "terror à la

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"Floresta das Almas Perdidas": Terror português no Fantasporto

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As paisagens da Serra do Caramulo, o lago glaciar de Sanábria (Espanha) e uma casa burguesa em Águeda: Se os locais de filmagens foram escolhidos meticulosamente, é porque este filme é feito, em grande medida, de paisagens. E de silêncios. Sobretudo numa primeira fase, enquanto acompanhamos dois potenciais suicidas (Daniela Love e Jorge Mota) que deambulam pela “Floresta das Almas Perdidas”, o lugar misterioso que dá nome ao filme e tem um estranho dom para atraír quem quer por termo à vida…

Point of view

Muito público estava feliz apenas e só pelo facto de verem um filme de terror, à Fantas, com facadas, que era português.

José Pedro Lopes Realizador

Se os silêncios e a paisagem são elementos presentes até ao fim do filme, já a ação evolui, a partir de uma certa altura, para o que o próprio realizador, José Pedro Lopes, chama “terror à la (John) Carpenter”. Uma aposta que fez reagir o público presnte na antestreia mundial do filme, domingo, no Fantasporto: “Muito público estava feliz apenas e só pelo facto de verem um filme de terror, à Fantas, com facadas, que era português”, conta o jovem realizador, que assina aqui a primeira longa-metragem.

Natural do Porto, José Pedro Lopes frequenta o festival desde os 12 anos: *“Cresci a ver o ‘Audition’ do Takashi Miike lá e o ‘Bordel do Lago’ do Kim Ki-duk. Foi lá que ganhei o gosto pelo cinema.
Curiosamente, agora concorro contra o mestre Kim Ki-duk na Semana dos Realizadores – uma grande honra”*.

Não sendo um fenómeno novo, o fantástico está longe de ser um género de referência no cinema português. Festivais como o Fantasporto (que em anos anteriores deu honras de abertura a filmes como “Coisa Ruim” ou Gelo) ou o MoteLX têm ajudado a fazer crescer o género: “Eu acho que há muita gente que gosta do fantástico e que quer fazer cinema fantástico. Vê-se nas curtas-metragens do Fantas e do MoteLx e do circuito do Shortcutz. Infelizmente, não é um género que conte com grandes apoios financeiros institucionais e a distribuição do cinema português não é virada para o género”, lamenta-se o realizador que, apesar de tudo, não desiste de encontrar uma distribuidora para o filme, mal acabe o circuito dos festivais: “No final, se ninguém quiser apostar nele, apostamos nós (produtora Anexo 82, de JPL)”. Em aberto fica também a possibilidade de uma distribuição internacional.

Trailer

A euronews está presente no Fantasporto 2017. Continue a acompanhar aqui as notícias sobre o festival e veja, aqui abaixo, a reportagem sobre a edição de 2016: