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Kiev: A integração dos deslocados do conflito no leste da Ucrânia


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Kiev: A integração dos deslocados do conflito no leste da Ucrânia

Foi há duas semanas que esta casa na aldeia de Korzhi, próximo da capital ucraniana, Kiev, se tornou o local de residência de Vitaliy e Valentina, vítimas do conflito militar no leste da Ucrânia. O casal deixou o apartamento em que vivia em Debaltseve, na região de Donetsk, assim que os separatistas russos tomaram o controlo da cidade.
“Esta guerra foi criada artificialmente e era claro que os ventos sopravam da Rússia. Quando os separatistas hastearam a sua bandeira no lugar da bandeira ucraniana, percebemos que ia ser difícil continuar ali e mudámo-nos: primeiro para Kramatorsk – na altura ainda controlada por Kiev – e agora para a região de Kiev”, conta Vitaly Svyatoshenko.

A família recebeu ajuda do governo ucraniano enquanto refugiados internos, mas não é o suficiente. Este mês, o casal encontrou felizmente trabalho num call-center, “Donbas SOS”, uma ONG ucraniana que ajuda os refugiados a resolverem as questões legais e tudo o que implica administrativamente a mudança de vida da zona de guerra.

“Este trabalho vai permitir-nos ter um pouco mais de dinheiro e podermos ajudar mais pessoas como nós. Vamos ajudá-los a candidatar-se às ajudas para os refugiados, ajudá-los na passagem das áreas de controlo e a receberem a ajuda humanitária”, diz Valentina Svyatoshenko-Fialova.

De acordo com o ministério do Assuntos Sociais, o número de pessoas deslocadas pelo conflito ultrapassa já um milhão e seiscentas mil. Chegam sobretudo da região de Donbas, mas também da Crimeia.
Oleg Maslov veio de Donetsk para Kiev e não pediu ajuda ao governo. Candidatou-se e ganhou o concurso organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para os deslocados. Agora participa no programa de angariação de fundos e está a aprender como angariar fundos para o seu projeto de fábrica de bicicletas elétricas: “Decidi participar no programa de angariação de fundos para obter apoio de pessoas socialmente ativas e não ir simplesmente pedir ajuda ao governo”.

Nos últimos dois anos, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ensinou a cerca de 3000 pessoas como gerir o seu próprio negócio e concedeu subsídios a algumas delas. Com esse apoio os deslocados abriram lojas, padarias, postos de lavagens de carros, etc.
O PNUD considera que é mais importante dar às pessoas a oportunidade de ganharem dinheiro do que dar-lhes dinheiro, com explica Jan Thomas Hiemstra:
“As pessoas de Donbas foram muito bem recebidas por toda a Ucrânia e acreditamos que com estes exemplos podemos mostrar que as pessoas deslocadas pelo conflito não têm necessariamente que estender a mão para pedirem dinheiro a instituições, podem ser ajudadas pelos ucranianos”.

Para ajudar na integração dos jovens que vieram do leste, o diretor de teatro alemão, Georg Genoux, fundou, juntamente com alguns autores, o Teatro dos Deslocados em Kiev. Trata-se de um projeto de teatro documental onde a maioria dos atores são amadores. Katerina Savchenko, vinda de Horlovka, visitou primeiro o teatro enquanto espetadora, mas depois juntou-se à equipa. Os espetáculos são, para os atores, uma espécie de terapia psicológica:
“Sinto-me bem melhor. Agora é mais fácil falar dos acontecimentos que vivi no leste e também dos meu avós que ficaram a viver lá”.

O Teatro dos Deslocados tem feito representações em diversas cidades ucranianas e também na Alemanha, mostrando aos espetadores os sentimentos de vidas em tempos de guerra. Mas, claro, todos os atores sonham poder atuar um dia nas suas regiões de origem e em clima de paz.

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