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Conflito na Ucrânia: Vidas para além da guerra


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Conflito na Ucrânia: Vidas para além da guerra

Estes autocarros chegam de Donetsk, Gorlovka, Lugansk, regiões da autoproclamada república separatista do leste da Ucrânia, aos subúrbios do sul de Moscovo todos os dias. Os primeiros chegam logo de manhã com as últimas notícias da zona de conflito. Sergei tem 47 anos e era mineiro. Veio de Rovenky e vai trabalhar na Rússia numa oficina de automóveis. Nem quer acreditar que vai poder dormir sem o som dos tiros:
Lugansk e Donetsk estão a ser bombardeados. Principalmente os subúrbios. É uma centena de quilómetros de distância de onde vivíamos, mas ouvíamos os sons de tiros de dia e de noite, ouvíamos como as zonas pacíficas estavam a ficar sob o fogo e não tínhamos nenhuma ideia do que ia acontecer conosco. Vivíamos num autêntico um barril de pólvora”, conta.

Como todos os que chegam, Serguei pensa em como a sua vida poderá mudar a partir de agora. Há uma semana a Rússia decidiu reconhecer os documentos das pessoas vindas da região em conflito. Foi uma ordem do presidente Vladimir Putin. Os passaportes, as certidões de nascimento, os registos de automóveis e outros documentos tornaram-se legais na Rússia.

Katya abandonou o apartamento em que vivia em Kievsky, no distrito de Donetsk. Agora vive em Moscovo e procura um lugar numa creche para o filho de 2 anos que deixou com a avó em Komsomolsk. Katya tem um passaporte da região separatista, que utiliza na Rússia desde outubro de 2016, o que significa que antes do decreto de Putin, os documentos separatistas já eram reconhecidos na Rússia.
“Agora é um problema ir à Ucrânia. Há filas enormes. É um horror. As pessoas começam a chegar às 5 da manhã. Ficam nas filas de espera ao mesmo tempo que vêm os morteiros cair nas proximidades e mesmo assim não desistem”, afirma.

Dmitry, de 20 anos, é originário de Donetsk e passou vários meses a trabalhar em Moscovo como engenheiro eletrónico. Antes trabalhava nas minas da região de Donetsk mas agora não há trabalho lá. A questão dos documentos não lhe interessa: “Eu não quero este passaporte, ele só será reconhecido temporariamente. O que é reconhecido aqui é um estatuto temporário e nós não somos reconhecidos em lado nenhum. O que é que vou fazer com este passaporte?” Pergunta.

Há dez anos que Valentina atravessa regularmente a fronteira entre a Ucrânia e a Rússia. Trabalha na portaria de um prédio em Moscovo. No final do mês volta para casa da filha e do neto em Donetsk. Valentina perdeu o genro no conflito em 2014. Antes da guerra ele trabalhava na polícia. Aqui Valentina recebe 500 euros por mês e ajuda financeiramente a filha e o neto. A emoção vê-se no seu olhar quando falamos da decisão de Moscovo. São boas notícias para ela: “As pessoas fazem filas para terem os passaportes. A minha filha vai ter um. Kiev pode dar-lhe um também ou não, mas nem toda a gente quer ir para lá, muitas pessoas simplesmente não querem”.

Moscovo apresentou o decreto como temporário até se chegar a uma solução política que traga paz à região. Kiev fala de provocação. O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, diz que é mais uma prova da ocupação russa e das violações do direito internacional por parte da Rússia. O Diretor do think tank Carnegie de Moscovo, Dmitry Trenin, diz que a Rússia está a enviar sobretudo um sinal político aos Estados Unidos, à França e à Alemanha: “Penso que o aspeto humanitário existe, sem dúvida. Mas penso que para a Rússia é sobretudo uma questão política e diria até que a parte política é a prioridade. A Rússia está a enviar mais um sinal ao ocidente de que o atraso na execução dos acordos de Minsk pode levar a um ponto em que os acordos fiquem na História, mas a história vai desenvolver-se com outro cenário que não foi escrito em Minsk”.

Foram pequenos passos administrativos como estes que levaram ao reconhecimento formal pela Rússia das duas regiões da Geórgia – a Ossétia do Sul e a Abcázia – depois da guerra de 2008.

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