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Alta tensão na ONU entre EUA e Rússia por causa do ataque à Síria


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Alta tensão na ONU entre EUA e Rússia por causa do ataque à Síria

O primeiro ataque militar dos Estados Unidos em território sírio contra as forças armadas afetas ao Presidente Bashar al-Assad motivou um duelo de palavras esta sexta-feira, em Nova Iorque.

Aconteceu durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, pedida pela Bolívia após o ataque com mísseis Tomahawk contra a base aérea Shayrat, na província de Homs.

A operação unilateral foi ordenada pelo presidente Donald Trump após uma outra reunião de emergência do Conselho de Segurança, realizada quarta-feira por causa do suposto ataque com armas químicas ocorrido terça-feira, em Idlib, ter acabado sem consenso na condenação do governo da Síria.

No início da reunião desta sexta-feira entre os 15 membros do Conselho de Segurança, em que também participou a Síria como parte implicada, o subsecretário-geral da ONU para os assuntos políticos, Jeffrey Feltman, começou por dizer que “proteger o povo sírio requer ação imediata, uma ação intrínseca nos princípios das Nações Unidas e da lei internacional.”

Depois, começou o duelo entre Moscovo e Washington.

O embaixador russo na ONU começou por “atacar” a decisão unilateral de Donald Trump. “Condenamos veemente os atos ilegítimos praticados pelos Estados Unidos. As consequências disto para a estabilidade regional e internacional podem ser extremamente graves”, avisou Vladimir Safronkov.

A embaixadora norte-americana na ONU, por sua vez, reiterou perante a assembleia os motivos do ataque unilateral. “Os nossos militares destruíram a base aérea de onde partiu o ataque com armas químicas desta semana. Tínhamos todas as justificações para o fazer”, garantiu Nikkii Haley, acrescentando que este “era o momento de dizer ‘chega’, mas não só dize-lo”: “Era tempo de agir. Bashar al-Assad não pode voltar a usar armas químicas, nunca mais.”

Após justificar os motivos do ataque, a embaixadora norte-americana na ONU deixou nova ameaça caso a diplomacia continue a falhar. “Estamos preparados para fazer ainda mais, mas esperamos que não seja necessário. É altura de todas as nações civilizadas pararem com o horror que está a acontecer na Síria e exigir uma solução política”, apelou.

O embaixador russo reagiu com agressividade ao apelo norte-americano. “Hoje apelam a avançar-se com o processo político. São hipócritas. Só o pedem depois de realizarem este ataque militar, infelizmente”, atirou Vladimir Safronkov.

Nikki Haley não se ficou e centrou, depois, o alvo das suas palavras em Moscovo, lembrando que “era suposto a Rússia ter removido todas as armas químicas da Síria”. “Obviamente, isso não aconteceu e sírios inocentes continuam a ser mortos em ataques químicos”, acusou.

O embaixador russo pediu à homóloga norte-americana para “parar de insultar” a Rússia e considerou que Nikki Haley, também a atual presidente do Conselho de Segurança, “tem a possibilidade de colocar o trabalho coletivo do Conselho num passo saudável”. “Isto nunca irá acontecer se o ponto de vista de um só membro é passado como a verdade absoluta”, avisou.

Presente na reunião, o embaixador adjunto da Síria na ONU voltou a negar a posse de armas químicas pelo exército às ordens de Bashar al-Assad e reforçou a acusação russa de que as armas químicas que terão morto mais de 70 pessoas na terça-feira estariam antes na posse dos rebeldes da oposição.

“A República Árabe da Síria já expressou que o exército sírio não tem armas químicas. Deixem-me dizer que é por demais sabido que essas armas têm sido usadas e armazenadas em diversas partes da Síria mas por organizações terroristas”, afirmou Manzour Manzour.

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