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Líbia tem crianças presas com terroristas do Daesh


Tunísia

Líbia tem crianças presas com terroristas do Daesh

Com AP

Tamim tem apenas três anos, é tunisino, órfão de pai e mãe e é uma das várias centenas de crianças que continuam a viver em prisões na Líbia, juntamente com terroristas do Daesh.

Apesar dos esforços do avô, que foi várias vezes à Líbia ver o neto e tentar a libertação, a criança continua presa. Os pais tinham-se juntado às forças do Daesh e foram ambos mortos numa operação militar americana: “Da primeira vez, encontrámo-nos no gabinete do guarda. Ele não queria aproximar-se de mim, agarrou-se ao guarda, que conhecia bem. Eles disseram que gostam muito dele e têm pena dele, por ser órfão”, conta Faouzi Trabelsi, avô da criança.

A família de Tamim é originária de um bairro pobre de Tunes. Como muitos tunisinos, os pais sentiram o apelo da jihad. O pequeno nasceu em abril de 2014 na Turquia. Os pais partiram depois para a Líbia, onde morreram em fevereiro de 2016.

Está agora retido numa prisão de Tripoli. Também na base aérea de Mitiga, são várias dezenas as mulheres, alegadas terroristas do Daesh, presas juntamente com os filhos.

“O Daesh trabalhava em três níveis: curto, médio e longo prazo. A curto prazo, trabalhava no recrutamento, ao aliciar jovens a partir para a Líbia e, sobretudo, para a Síria e para o Iraque. Depois, houve famílias inteiras que partiram”, explica Mohammed Iqbel, líder de uma associação que trabalha para a libertação dos tunisinos retidos no estrangeiro.

Oficialmente, o governo da Tunísia está a fazer esforços para libertar estas crianças, mas nem todos são dessa opinião. Em muitos casos, as crianças acabam por ser criadas na prisão, por mulheres acusadas de terrorismo.