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Eleições em França dividem portugueses


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Eleições em França dividem portugueses

Os portugueses constituem a maior comunidade estrangeira em França. São conhecidos pela integração, mesmo com uma forte ligação sentimental ao país de origem: As tradições, a comida e, claro, o futebol.

Quanto às eleições de domingo, as opiniões dividem-se. Na nossa reportagem na zona de Lyon, encontrámos todo o tipo de pessoas: “Estamos todos na expectativa. Não sabemos aquilo que poderá acontecer se ganhar Marine Le Pen”, diz Alberto Diogo, proprietário do “Le Delta”, um dos restaurantes onde a comunidade se junta para conviver e ver os jogos da Primeira Liga. “A minha mulher e os meus filhos podem votar e vão votar Le Pen”, diz um dos clientes.

Tal como os franceses, também os portugueses estão divididos, incluindo os descendentes. Há cerca de um milhão de portugueses e pessoas de origem portuguesa em França. Cerca de 520 mil só têm nacionalidade portuguesa e não podem votar. Dos outros, muitos vão às urnas.

Em França, as sondagens e estatísticas baseadas na origem étnica ou nacional são proibidas por lei. Por isso, é difícil ter dados precisos sobre o sentido de voto da comunidade portuguesa e lusodescendente. É uma comunidade muito diluída no resto da sociedade francesa. Pensa-se que a distribuição dos votos da comunidade portuguesa não é muito diferente da distribuição no total do país. Já na primeira volta, houve apoiantes portugueses de todos os candidatos. Agora, há também apoiantes dos dois finalistas.

Émilie Fernandes Ramalho é conselheira municipal em Givors, na mesma região, eleita pela Frente Nacional (FN) de Marine Le Pen. Filha de pai português e mãe espanhola, não vê contradições entre a origem da família e o discurso anti-imigração da candidata: “Sou filha de pais imigrantes, que vieram para França trabalhar para poderem ganhar dinheiro. Não sou contra a imigração, sou contra a subsidiodependência”, afirma.

Lídia Fathallah chegou a França com os filhos há 37 anos e decidiu naturalizar-se poucos anos depois. Tanto ela como o filho Cláudio, empresário, não hesitam em apoiar Emmanuel Macron. Para esta reformada de 68 anos, a juventude do candidato é uma vantagem: “Se vamos ter um presidente da República Francesa, que seja um jovem. Estamos fartos desses senhores com mais de 50 e 60 anos. Não que sejam velhos… Porque não dar uma oportunidade a este jovem de 39 anos?”

Mesmo se um estudo recente conduzido pela investigadora Anne Muxel, do Instituto Sciences Po de Paris, coloca os lusodescendentes como dos mais entusiastas por Marine Le Pen, entre os jovens eleitores, a verdade é que não podemos tirar conclusões. As opiniões da comunidade não diferem das dos 67 milhões de habitantes que tem a França.

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