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Irão: Economia inicia retoma um ano apó o fim do bloqueio


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Irão: Economia inicia retoma um ano apó o fim do bloqueio

Um ano após o início da implementação do Plano de Ação Conjntunto do acordo sobre o nuclear iraniano, as mudanças no clima económico do país são já visíveis.
Os negócios internacionais começam a fluir, com a assinatura de contratos entre entidades e empresas locais e multinacionais de diversos setores de atividade.
O diretor do grupo alemão Benteler Co, Alexis Bonnel, fala ainda de dificuldades:

“O reconhecimento do Irão no seio do sistema bancário é um passo muito importante, mas há ainda um longo caminho a percorrer. As relações estão a melhorar. Vemos que podemos começar a construir para o futuro. Em alguns casos, estamos a enfrentar problemas, por isso trabalhamos nesses casos, mas, como disse antes, não se fará tudo num dia, teremos tempo para ir melhorando as coisas.”, refere Alexis Bonnel, diretor do grupo alemão Benteler Co.

Um dos contratos mais recentes liga o grupo iraniano Khodro a vários construtores automóveis mundiais e às universidades tecnológicas do país, para o desenvolvimento de novos modelos de veículos. Entre os associados estão a alemã Benteler Automotive, a italiana Pininfarina, a sul coreana Hyundai e as universidades iranianas de tecnologia, Sharif e Amir Kabir.

“O plano de ação do acordo sobre o nuclear deu-nos uma boa oportunidade para assinarmos contratos com as companhias estrangeiras. Felizmente a companhia iraniana Khodro agarrou esta oportunidade e foi a primeira a assinar o contrato que entrou em funcionamento na semana passada”, explica Kamran Sepehri – um dos responsáveis pelo design e desenvolvimento da Khodro.

Com o levantamento das sanções, é toda a atividade do país que está a ser revitalizada. O Irão recebeu, por exemplo, esta semana, os primeiros quatro de uma encomenda de 20 aviões ATR 72-600, para renovação da vetusta frota dos voos domésticos e procedeu a encomendas junto das gigantes Airbus e Boeing.

Os países europeus não perderam tempo a restabelecer os negócios com Teerão, como refere o economista Saeed Leylaz:
“Penso que a França foi a primeira e a Alemanha a segunda. No entanto, a França vende os seus produtos, especialmente carros e agora os airbus foram entregues também. Aconteceram duas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, há aviões italianos que estão a ser entregues esta semana. Isto são cooperações muito importantes”.

O levantamento das sanções ao Banco Central do Irão e as ligações de 29 bancos iranianos ao sistema de comunicação europeu SWIFT começa a facilitar as transações com o estrangeiro, mas a questão bancária está longe de estar resolvida. O embargo norte-americano e a nuvem de mistério que foi criada em torno do Irão abalaram fortemente a credibilidade das instituições financeiras do país, o que continua a ser um entrave para os investimentos e trocas comerciais.

“Tudo o que precisamos é do plano de ação do acordo sobre o nuclear. Acreditamos que as condições para os negócios deviam ser facilitadas pelos dois lados, através de contratos, mas isso até agora não aconteceu.
O resultado do acordo não deve ser nulo para nós. O Irão deve beneficiar dele. Não deve ser como um construtor automóvel vir para o Irão e não poder transferir o dinheiro”, protesta o jornalista económico, Seyyed Javad Seyyedpour.

Com este acordo, o Irão voltou a atrair o investimento para um mercado intacto e as visitas das delegações económicas internacionais ao país, sucedem-se.

Na área do petróleo e do gás, as grandes companhias internacionais disputam o potencial oferecido pelas jazidas do território iraniano, onde há espaço para grandes projetos de investimento. Mas, apesar de o potencial das matérias primas ser enorme, o FMI acredita que o crescimento económico do Irão, baseado no investimento estrangeiro, vai ser mais forte nos setores não energéticos.